O governo Lula (PT) criticou nesta terça-feira (7) a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que discute a possível aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros.
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Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o governo afirmou que “repudia” a manifestação do parlamentar e disse que Flávio foi o único brasileiro inscrito no evento a não se posicionar contra a medida americana.
A audiência ocorreu enquanto o governo brasileiro optou por não participar dos debates como expositor. A Embaixada do Brasil em Washington enviou representantes apenas na condição de observadores, sem direito a manifestação. O Palácio do Planalto informou que prefere concentrar as negociações em reuniões técnicas e diplomáticas com autoridades americanas.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, participou presencialmente da audiência e pediu que os Estados Unidos suspendam a aplicação das tarifas. O senador afirmou que a adoção da medida neste momento poderia prejudicar empresas brasileiras e norte-americanas e defendeu o adiamento da decisão.
“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”, afirmou o parlamentar em discurso em inglês.
Flávio também declarou que a aplicação das tarifas não seria a forma adequada de pressionar o Brasil.
“Acho que vocês estão usando as tarifas (…) para atingir o objetivo que desejam. Se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso. Essa não é a forma adequada. Existem instrumentos direcionados que podem ser usados contra indivíduos”, disse.
Governo acusa senador de favorecer interesses eleitorais
Na nota, o governo afirmou que Flávio teria adotado uma postura com “claro objetivo eleitoreiro” ao defender o adiamento da decisão americana.
Segundo a Secom, o senador não teria utilizado a audiência para contestar as acusações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos durante a investigação comercial.
“Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, afirmou o governo.
A gestão Lula também criticou as declarações do parlamentar sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), regras relacionadas ao ambiente digital e o Pix.
O senador defendeu o sistema de pagamentos instantâneos e afirmou que a ferramenta foi criada durante o governo Jair Bolsonaro (PL).
“O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil foi criado durante a administração [Jair] Bolsonaro. O Pix não é o problema; é uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao integrar milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — à economia formal”, declarou.
Tarifa pode ser definida até 15 de julho
A audiência do USTR analisa a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão dos Estados Unidos é esperada até 15 de julho.
O governo brasileiro já havia apresentado uma resposta formal ao órgão americano após a conclusão da investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” pelo governo dos Estados Unidos.
No documento enviado pelo Itamaraty, o Brasil argumentou que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio americano.
O Executivo brasileiro também afirmou que críticas ao Pix e a decisões do STF não deveriam ser tratadas como questões comerciais.
Participação de Flávio foi independente
Flávio Bolsonaro participou da audiência como senador e pré-candidato à Presidência da República, sem representar oficialmente o governo brasileiro.
O parlamentar esteve acompanhado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos. Antes da participação, Flávio afirmou que faria uma “defesa técnica” para evitar prejuízos às empresas brasileiras.
“Ao lado de Eduardo Bolsonaro, e a postos para fazer uma defesa técnica e que proteja todas as empresas brasileiras de um possível tarifaço. Nossa luta é pelo Brasil e por todos os brasileiros!”, publicou.