O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviou na 4ª feira (2.ago.2023) explicações técnicas para a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos atos de 8 de Janeiro. O colegiado havia questionado o envio de dados financeiros do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sem que a comissão tivesse requerido diretamente informações sobre o ex-chefe do Executivo.
Pelas regras do Coaf, os relatórios de inteligência financeira, os chamados RIFs, incluem informações de uma determinada pessoa relacionadas às contas que movimenta, seja como titular ou como representante legal.
No caso da CPMI, o colegiado aprovou a solicitação de RIF sobre Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Os dados do ex-presidente teriam sido incluídos no relatório em razão de as informações serem referentes a todas as movimentações de contas em que Mauro Cid era representante legal, mesmo as que ele não era titular, no período solicitado.
Integrantes da oposição e aliados de Bolsonaro questionaram o envio de dados sobre o ex-presidente. Na 5ª feira (3.ago), o presidente da CPI, Arthur Maia (União Brasil-BA), leu a resposta do Coaf sobre o assunto enviada ao colegiado. Eis a íntegra do ofício (2 MB).
Para o senador Magno Malta (PL-ES), um dos vice-presidentes da comissão e aliado de Bolsonaro, os dados relacionados a Bolsonaro foram incluídos “de forma sorrateira e furtiva”.
“Os fatos são graves, demonstram haver ilícitos no encaminhamento da documentação do Coaf, com possível conhecimento de membros desta CPMI, expondo indevidamente dados reservados e desvirtuando os trabalhos desta comissão”, disse Malta na 3ª feira (1º.ago).