O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (5) que o governo federal precisa adotar medidas estruturais para criar condições para a redução da taxa básica de juros no Brasil. A declaração ocorreu um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper a sequência de cinco cortes consecutivos da Selic e manter o índice em 13,75% ao ano.
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Durigan classificou o atual patamar dos juros como elevado e prejudicial à atividade econômica, tanto para o setor produtivo quanto para o financeiro. Apesar da avaliação, evitou fazer críticas diretas à decisão do Banco Central.
“O Brasil com a taxa de juros neste patamar é uma taxa de juros bastante alta e muito ruim para a economia e para todos os setores, mesmo o setor financeiro, o setor produtivo”, afirmou o ministro.
Segundo Durigan, a estratégia da equipe econômica envolve ajustes graduais nas contas públicas, com revisão de despesas, benefícios fiscais e eliminação de privilégios. O objetivo, de acordo com ele, é melhorar o resultado fiscal e criar condições para que o orçamento federal alcance superávit a partir de 2027.
“Quando a gente vai fazendo ajustes graduais, vai implementando medidas, olhando para corte de privilégios, retomada de uma série de revisões de benefícios, revisões de gasto primário, a gente dá as condições para que o orçamento seja superavitário”, declarou.
O ministro também afirmou que as medidas em discussão não deverão prejudicar a população de baixa renda. Segundo ele, as propostas precisam conciliar o equilíbrio das contas públicas com os compromissos assumidos pelo presidente Lula (PT).
Anúncios após viagem de Lula
Durigan não antecipou quando o governo apresentará as medidas de ajuste fiscal. De acordo com o ministro, não há previsão de anúncios nos próximos dias, uma vez que Lula se prepara para participar da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), na Turquia.
A equipe econômica continuará discutindo as alternativas e encaminhando propostas ao presidente. Durigan afirmou que mantém conversas diárias com Lula e que novas informações deverão ser apresentadas após o retorno da viagem internacional.
Nesta quinta-feira, o ministro também tinha reunião com o presidente para discutir a situação econômica e a dívida pública. O encontro ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por medidas que sinalizem maior controle das despesas governamentais.
Na quarta-feira (4), o Copom decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de redução iniciado em março. Em comunicado, o colegiado apontou o aumento das incertezas econômicas, as expectativas de inflação mais elevadas e a desaceleração da atividade doméstica como fatores que exigem cautela na condução da política monetária.
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