A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5), por unanimidade, a abertura do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, mesmo após o anúncio de sua renúncia ao cargo. A acusação recebeu 78 votos favoráveis e nenhum contrário. Com a decisão, o caso será encaminhado ao Senado, responsável por julgar o processo e decidir sobre a destituição do chefe do Executivo.
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A votação ocorreu em meio à crise política provocada pelo fechamento do Ueno Bank, instituição financeira que deixou milhões de paraguaios sem acesso às próprias contas. A pressão pela saída de Peña aumentou depois que parlamentares da oposição e integrantes da própria base governista passaram a apoiar o afastamento do presidente.
O pedido de julgamento político foi apresentado por 35 deputados e reúne acusações de conflito de interesses, mau desempenho das funções públicas e irregularidades relacionadas à administração de recursos previdenciários. Entre os questionamentos está a participação anterior de Peña no grupo empresarial controlador do banco, da qual se desligou em março de 2025.
O documento também questiona a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financeira Ueno, para comandar o Banco Central paraguaio, além de alterações promovidas na legislação sobre conflitos de interesses. Os parlamentares ainda apontam a concentração de recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) na instituição financeira.
A oposição defendeu a continuidade do processo mesmo depois da renúncia presidencial para evitar que Peña deixe o cargo sem responder politicamente pelas acusações. A decisão final caberá aos senadores, que precisam reunir dois terços dos votos para condená-lo no julgamento.
Vice escapa de impeachment
Na mesma quinta-feira, a Câmara rejeitou o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana. Foram 48 votos contrários à acusação e 30 favoráveis, resultado insuficiente para alcançar a maioria constitucional exigida.
Com a rejeição, o processo contra Alliana foi arquivado. Ele deverá assumir a Presidência da República após a formalização da renúncia de Peña pelo Congresso, conforme as regras de sucessão previstas na Constituição paraguaia.
Renúncia em meio à crise bancária
Peña anunciou que deixaria a Presidência em um pronunciamento divulgado nas redes sociais. No vídeo, justificou a decisão como uma tentativa de preservar a estabilidade política e institucional do país diante da crise financeira.
O agora presidente renunciante afirmou que sua prioridade é garantir a tranquilidade dos paraguaios afetados pelo fechamento do banco e assegurar a devolução dos recursos depositados na instituição. Também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante o exercício do mandato, mas não assumiu responsabilidade direta pelas irregularidades investigadas.
O Ueno Bank, controlado pelo Grupo Vázquez, teve suas atividades encerradas após o Banco Central identificar problemas nos indicadores de solvência, associados à concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao próprio conglomerado. A instituição reunia aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos.
Peña foi acionista do grupo controlador até março de 2025. A crise provocou protestos, a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e a prisão de executivos ligados à instituição financeira.
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