A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta sexta-feira (23) uma nota para esclarecer quem tem autoridade para se pronunciar oficialmente em nome da entidade, um dia após a divulgação de uma carta assinada por bispos católicos com críticas indiretas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Sem mencionar o manifesto, a CNBB afirmou que a representação institucional cabe à Assembleia Geral, ao Conselho Permanente e à Presidência, conforme previsto em seu Estatuto Canônico. A nota também estabelece limites para manifestações de comissões episcopais e conselhos regionais.
“Dessa forma, no cotidiano da vida institucional da CNBB, é a Presidência quem detém a autoridade para se manifestar oficialmente em nome da Conferência”, diz o texto.
A entidade acrescentou que “nenhuma pessoa física ou jurídica tem capacidade e habilitação canônica e cível para se pronunciar oficial e legitimamente em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além daquelas precedentemente citadas”.
Carta critica candidatura de Flávio
Divulgado na quinta-feira (22), o manifesto reúne 47 nomes de bispos, arcebispos e bispos eméritos, embora notícias sobre a iniciativa mencionem 64 religiosos envolvidos. O documento não cita nominalmente Flávio nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas faz referências ao governo do pai do senador e critica propostas atribuídas a uma das candidaturas.
Entre os pontos contestados pelos religiosos estão políticas de armamento, medidas ambientais e posições sobre direitos trabalhistas e programas sociais. A carta afirma que uma das candidaturas ameaça princípios da Doutrina Social da Igreja, a democracia e a soberania nacional.
Ao tratar do segundo turno, os signatários conclamam os católicos a votar em defesa da democracia e dos valores humanitários. O texto também faz uma comparação favorável à candidatura adversária, afirmando que ela teria demonstrado responsabilidade com os pobres e respeito à ordem democrática.
A nota da CNBB não declara apoio a nenhum candidato nem faz referência direta ao manifesto. Na quarta-feira (21), o Conselho Permanente da entidade havia divulgado uma mensagem própria defendendo a Constituição, o Estado Democrático de Direito, o respeito ao resultado das urnas e a participação consciente dos eleitores.
