Defesa de primo de Vorcaro nega fuga em carrinho de golfe e contesta relatório da PF

Felipe Cançado Vorcaro

A defesa do empresário Felipe Cançado Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, contestou a versão apresentada pela Polícia Federal (PF) sobre uma suposta fuga registrada em imagens de câmeras de segurança em uma residência em Trancoso, no sul da Bahia.

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Segundo o relatório da PF encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o investigado teria deixado o imóvel em um carrinho de golfe na madrugada do dia 14 de janeiro, pouco antes da chegada dos agentes responsáveis pelo cumprimento de mandados da segunda fase da operação. O episódio é apontado pelos investigadores como possível tentativa de evasão.

A defesa, no entanto, afirma que houve erro de identificação e que o homem registrado nas imagens não seria o empresário, mas seu sogro, que estava hospedado no local no momento da ação policial.

Em manifestação enviada ao STF, os advogados apresentaram um laudo técnico particular que contesta a conclusão da PF. O documento sustenta que a análise das imagens não permite identificar Felipe Vorcaro nos registros feitos pelas câmeras de segurança.

“Conclui que os achados morfológicos contradizem a hipótese de que qualquer dos dois indivíduos registrados nas imagens corresponda a Felipe Cançado Vorcaro”, afirma o laudo citado pela defesa.

Os peritos contratados pela defesa também apontam que as imagens mostram o retorno do mesmo carrinho de golfe ao imóvel após a chegada dos agentes, o que, segundo eles, enfraqueceria a tese de fuga.

“A conclusão do relatório policial — de que teria havido ‘verdadeira evasão probatória’ — decorre, portanto, de um erro de identificação, e não de qualquer conduta do investigado”, dizem os advogados.

A PF, por sua vez, sustenta que as gravações de segurança indicam a saída de um homem com características compatíveis com as do investigado, identificado como “P1” nos registros analisados. O material teria sido usado como um dos elementos para embasar a suspeita de evasão.

A defesa também nega qualquer tentativa de impedir a ação policial e afirma que não houve uso de informação privilegiada sobre o cumprimento dos mandados. Além disso, sustenta que o empresário não praticou atos para frustrar a operação.

“Felipe Cançado Vorcaro não estava no carrinho. Não recebeu informação privilegiada sobre o cumprimento da diligência. Não praticou qualquer ato destinado a frustrá-la”, afirmam os advogados.

O pedido protocolado nesta segunda-feira (22) solicita a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a aplicação de medidas cautelares menos gravosas. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF, responsável pela condução do processo relacionado à Operação Compliance Zero.

Primo do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Felipe está preso desde maio e é apontado pela PF como integrante de um núcleo financeiro investigado no âmbito do caso.



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