Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público do Paraná deflagrou nesta segunda-feira (15) uma das maiores ofensivas recentes contra o crime organizado no país. A Operação Panóptico mobilizou cerca de mil agentes para cumprir 559 ordens judiciais contra suspeitos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), em ações simultâneas no Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
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Ao todo, foram expedidos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão. Parte significativa das medidas teve como alvo integrantes da facção que já se encontram no sistema prisional, apontados pelas investigações como responsáveis por coordenar atividades criminosas de dentro das cadeias.
A operação é resultado de apurações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desde o fim de 2025. Segundo o Ministério Público paranaense, o objetivo é enfraquecer a estrutura da organização criminosa, interromper suas atividades e reunir novas provas sobre delitos atribuídos ao grupo.
Até o final da manhã, aproximadamente 90% dos mandados haviam sido cumpridos. Entre os alvos estavam suspeitos localizados em dezenas de cidades paranaenses, além dos municípios de Joinville (SC), Naviraí (MS), Bauru (SP) e Itapecerica da Serra (SP).
Durante as diligências, as forças de segurança apreenderam cerca de 1,2 quilo de cocaína, 670 gramas de crack e 700 gramas de maconha. Também foram recolhidas oito armas de fogo, incluindo pistolas, revólveres e uma espingarda, além de aproximadamente R$ 12 mil em espécie.
As equipes localizaram ainda um imóvel em Curitiba utilizado para o preparo e manipulação de drogas, equipado com prensa e materiais destinados ao processamento de entorpecentes. Outro destaque foi a apreensão de um dispositivo capaz de bloquear sinais de tornozeleiras eletrônicas.
A operação também resultou em prisões em flagrante. Quatro pessoas foram autuadas por tráfico de drogas e outras duas por obstrução à Justiça, após a destruição de aparelhos celulares durante o cumprimento das ordens judiciais.
Dois confrontos foram registrados ao longo da ação. Em Cambé, na região norte do Paraná, um homem que possuía mandados de prisão por tráfico de drogas e roubo morreu após reagir à abordagem policial. Na mesma ocorrência, um policial militar foi atingido na mão e sofreu uma lesão ocular, mas recebeu atendimento médico e não corre risco.
Já em Nova Londrina, outro suspeito investigado por integrar a organização criminosa também morreu após trocar tiros com os agentes.
A operação contou com a participação integrada da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica do Paraná. A ação faz parte das diretrizes do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), rede formada pelos Gaecos de todo o país para atuar de maneira coordenada no enfrentamento às facções criminosas.
O nome “Panóptico” faz referência ao conceito de vigilância permanente popularizado pelo filósofo Michel Foucault, simbolizando o monitoramento contínuo das atividades da organização investigada.