O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal nome da direita na disputa presidencial de 2026, rebateu nesta segunda-feira (15) as acusações de que teria influenciado a decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros.
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Durante participação no VEJA Fórum Rumos do Brasil, em São Paulo, o parlamentar afirmou que, em encontro recente na Casa Branca, solicitou ao presidente dos EUA, Donald Trump (Republicano), e integrantes do governo americano que evitassem qualquer medida que pudesse prejudicar empresas do Brasil.
Segundo Flávio, sua posição foi contrária à adoção de novas barreiras comerciais e teve como argumento o impacto que uma taxação adicional poderia provocar sobre o setor produtivo brasileiro. O senador atribuiu ao presidente Lula (PT) a tentativa de transformar o tema em uma disputa política.
“A única pessoa que quer tarifa no Brasil é o Lula porque ele acha que vai ter um benefício eleitoral. Vai querer jogar a culpa em outra pessoa. Ele faz uma força tremenda para que isso aconteça”, declarou.
As declarações ocorreram poucos dias após a visita do senador aos Estados Unidos e em meio à repercussão do novo pacote tarifário anunciado por Washington. Paralelamente, Lula embarcou para a França para participar da cúpula do G7, onde busca abrir diálogo com Trump sobre a questão comercial. A viagem presidencial foi antecipada diante da possibilidade de o líder americano participar apenas da abertura do encontro.
Durante o evento, Flávio também direcionou críticas à política econômica do governo federal. Ao comentar o cenário dos juros, afirmou que o Brasil mantém uma das maiores taxas reais do mundo e alertou para os efeitos da política monetária sobre a população de menor renda.
“A maior taxa de juros do mundo, nós só perdemos para a Rússia, que está em guerra há três anos”, afirmou. “Vai explodir essa bomba no colo do mais pobre.”
O senador ainda abordou questionamentos envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio voltou a negar qualquer irregularidade e sustentou que o vínculo entre ambos se restringiu ao financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“A minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não tem absolutamente nada de errado. É uma relação privada, um investimento”, disse.
Ao falar sobre segurança pública, o parlamentar defendeu maior cooperação internacional no combate às facções criminosas brasileiras e reiterou sua proposta de buscar o reconhecimento de grupos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
No campo político, Flávio evitou antecipar possíveis nomes para compor uma chapa presidencial, mas afirmou que lideranças conservadoras estarão alinhadas contra Lula em 2026. Segundo ele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deverão participar ativamente do projeto eleitoral da direita.
“Todos estarão juntos conosco”, afirmou.
O senador também confirmou a participação da economista Daniella Marques em sua pré-campanha. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante da equipe do ex-ministro Paulo Guedes, ela deverá colaborar na elaboração de propostas econômicas e de mobilidade social.
Na área econômica, Flávio manifestou apoio à agenda de privatizações, mas defendeu avaliações individualizadas para cada estatal. Ele classificou como justificável uma eventual venda dos Correios, mas se posicionou contra uma privatização integral da Petrobras, admitindo apenas modelos de parceria ou redução da participação da União em determinados segmentos.
Ao comentar programas sociais, o parlamentar afirmou que beneficiários do Bolsa Família enfrentam insegurança para ingressar no mercado formal de trabalho por receio de perder o auxílio. Para ele, o modelo atual deveria oferecer uma transição mais segura aos trabalhadores.
“Muita gente tem preconceito com quem está no Bolsa Família, como se não quisessem trabalhar. É um erro. O Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome”, declarou.