EUA citam Brasil ao pressionar contra imposto sobre big techs

EUA devem elevar tarifa universal de 10% para 15%, diz secretário do Tesouro

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou hoje (4) que o governo americano tem atuado junto ao Brasil e a outros parceiros comerciais para impedir a adoção de tributos sobre serviços digitais que possam atingir empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

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A declaração foi feita durante audiência no Comitê de Meios e Recursos da Câmara dos Representantes. Ao detalhar a estratégia comercial de Washington, Bessent citou nominalmente o Brasil entre os países que vêm sendo alvo das negociações.

“Estamos pressionando, seja na Europa, no Brasil, na Índia ou no Canadá, contra esses impostos sobre serviços digitais”, declarou.

Segundo o secretário, a posição americana busca proteger companhias de tecnologia sediadas nos Estados Unidos durante as negociações comerciais conduzidas pela administração do presidente Donald Trump.

“Temos o maior ecossistema de tecnologia e inovação do mundo, e eles não podem tirar vantagem das nossas empresas”, afirmou.

O tema faz parte de uma série de disputas comerciais envolvendo tributação de plataformas digitais, serviços online e grandes empresas de tecnologia que atuam globalmente.

Petróleo russo e sanções

Durante a mesma audiência, Bessent também abordou a política de sanções contra a Rússia e afirmou que futuras autorizações para compra de petróleo russo poderão ser analisadas individualmente para cada país.

“Minha forte inclinação é que, se houver novas isenções, elas sejam específicas para determinados países e não generalizadas”, disse.

Segundo ele, as flexibilizações concedidas até agora tiveram impacto limitado sobre as receitas russas.

“A Federação Russa viu muito pouca receita adicional por causa dessas isenções. O petróleo deles já estava indo para a China, e agora pode ser vendido aos nossos aliados”, afirmou.

Debate sobre tarifas contra aliados da Rússia

A discussão ocorreu após questionamentos do deputado republicano Brian Fitzpatrick, que defendeu medidas mais duras contra países que mantêm relações econômicas com Moscou.

O parlamentar citou uma proposta apresentada no Congresso americano para impor tarifas de até 500% sobre produtos russos e também sobre importações oriundas de países que auxiliem economicamente a Rússia durante a guerra na Ucrânia.

Ao responder, Bessent questionou os efeitos de uma medida dessa magnitude.

“É preciso dar um passo atrás e pensar: vocês estão dispostos a impor uma tarifa de 500% sobre a China?”, afirmou.

O secretário acrescentou que uma tarifa nesse nível equivaleria, na prática, a um embargo comercial.

“Porque tudo o que ouvi — especialmente do outro lado, mas também de muitos do nosso lado — é que tarifas geram inflação. Eu não acredito nisso. Mas uma tarifa de 500% é, na prática, um embargo.”

Apoio à Ucrânia

Durante o depoimento, Bessent reiterou apoio à Ucrânia e relembrou uma visita realizada a Kiev em 2025.

O secretário também criticou a condução da política externa do ex-presidente Joe Biden em relação à Rússia, afirmando que a administração anterior poderia ter adotado medidas mais rigorosas contra Moscou.

Segundo ele, diversos países considerados mais vulneráveis solicitaram a renovação das isenções relacionadas ao petróleo russo durante encontros realizados neste ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial.

Após a audiência, Fitzpatrick afirmou que pretende retomar as discussões com o secretário sobre futuras flexibilizações nas sanções.

“É praticamente consenso que o único fator capaz de dissuadir Putin são sanções econômicas sufocantes, que exerçam pressão econômica sobre a agenda doméstica e sobre a população do país”, declarou o parlamentar.

As declarações ocorreram em meio ao aumento das disputas comerciais dos Estados Unidos com diversos parceiros internacionais e ao debate sobre novas regras de tributação para empresas globais de tecnologia.



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