Voto em Flávio Bolsonaro favorece Lula, afirma Zema

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) afirmou nesta segunda-feira (25) que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República tende a beneficiar a reeleição do presidente Lula (PT). Para o pré-candidato do Novo, o desgaste provocado pelo escândalo do Banco Master enfraquece a direita e amplia as chances do petista de se manter no poder após 2026. A declaração foi feita durante evento promovido pela Amcham Brasil, em São Paulo.

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A avaliação de Zema se apoia nos resultados da pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (22), a primeira conduzida integralmente após a revelação, pelo portal Intercept Brasil, de mensagens em que Flávio Bolsonaro solicita recursos a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar o documentário Dark Horse sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O levantamento registrou Lula com 47% das intenções de voto num segundo turno contra 43% do senador. Na rodada anterior, ambos estavam tecnicamente empatados com 45%. No cenário de primeiro turno, a vantagem do petista saltou de 3 para 9 pontos percentuais. A taxa de rejeição de Flávio Bolsonaro também preocupa: 46%, ante 45% de Lula.

“Se, em 2022, já foi difícil para a direita, com esse escândalo agora fica muito mais. Eu fico muito preocupado em que nós estejamos entregando para a esquerda mais uma vez essa eleição”, declarou Zema, salientando que o cenário atual não tem paralelo com o da última disputa presidencial.

O pré-candidato do Novo foi além nas críticas e usou linguagem direta para condenar a relação entre o senador e Vorcaro, a quem chamou repetidamente de “banqueiro bandido”. Recorreu ainda a um dito popular do interior mineiro para qualificar a proximidade entre os dois: “Gambá cheira a gambá.”

Afirmou nunca ter se reunido com o fundador do Banco Master, apesar de morarem na mesma cidade, e completou com uma metáfora: “Assombração sabe para quem ela vai aparecer e bater na porta.”

Houve também críticas veladas ao modelo de gestão baseado em indicações do círculo familiar — leitura amplamente interpretada como referência ao entorno do senador. “Eu gosto é de gente competente, e não de falar ‘é parente que resolve’. Quando é companheirada, parentada, a coisa fica difícil de resolver”, disparou.

Apesar da dureza do discurso, Zema confirmou que apoiará Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o PT. Revelou que os dois tentaram conversar após a divulgação dos áudios, mas não conseguiram se encontrar. “Abertura ao diálogo sempre vai existir. Eu só não concordo é com alguém que se aproxime de criminoso. Isso eu vou abominar sempre”, afirmou.

O mineiro também minimizou o fato de o pai de Vorcaro ter doado recursos ao Partido Novo em 2022. “Há quatro anos atrás, alguém tinha ouvido falar de escândalo do Banco Master? Isso só aflorou no ano passado. Ele doou, como milhares de outras pessoas doaram para o Novo”, respondeu, ao ser questionado sobre uma eventual contradição.

Caiado prega cautela e unidade

No mesmo evento, o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) adotou tom bem diferente. Sem endossar as críticas de Zema, defendeu a coesão da centro-direita como prioridade estratégica para derrotar o PT em 2026. “Não sou oportunista, não farei pré-julgamento. O mais importante é mantermos a centro-direita unida e consolidada”, afirmou, acrescentando que o candidato da oposição que avançar ao segundo turno deverá contar com o apoio de todos os demais.

Questionado diretamente sobre se Flávio Bolsonaro possui estatura moral para ocupar a Presidência, Caiado se esquivou: “Essa decisão virá do eleitor.” Reconheceu, porém, que as explicações apresentadas pelo senador para justificar suas conversas com Vorcaro “não foram convincentes até o momento”.

O goiano defendeu ainda que a governabilidade do próximo governo dependerá da integridade de quem ocupar o Palácio do Planalto, alertando para o que classificou como “desordem institucional” no país.

STF no centro das críticas

Na divergência sobre Flávio Bolsonaro, Zema e Caiado seguiram caminhos opostos. No tema do Supremo Tribunal Federal, porém, os dois convergiram. Caiado defendeu que a Corte devesse agir internamente para afastar ministros atingidos por denúncias ligadas às suas próprias trajetórias.

“Para que possamos avançar, o Supremo deveria ter essa condição de cortar na própria carne. Pouparia o país de um processo de crise”, argumentou.

Zema foi mais propositivo: sugeriu idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, fim das decisões monocráticas em temas de relevância nacional e adoção de lista tríplice com nomes sugeridos por instituições como critério de escolha dos integrantes da Corte. “O Supremo sempre foi um porto seguro, um poder moderador no Brasil, mas, de uns 15 anos para cá, virou um incendiário”, concluiu.



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