As últimas pesquisas eleitorais indicam uma resiliência incomum na candidatura de Flávio Bolsonaro. Leia-se aqui resiliência como a capacidade de resistir a adversidades num cenário institucional repressivo e fragmentado do ponto de vista político. Não faltam adversidades para pré-candidato do PL, seja no campo adversário ou no próprio quintal.
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Hoje mesmo, Valdemar Costa Neto resolveu reaquecer a crise do Master, afirmando na GNews que Flávio procurou Daniel Vorcaro, pessoalmente, para cobrar-lhe o dinheiro do filme do pai e não para encerrar a relação com o banqueiro, como havia dito o próprio senador dias atrás. Não que se deva dar muito crédito às declarações do velho cacique, mas é constrangedor que o fogo amigo venha do presidente do próprio partido.
No quintal do bolsonarismo, Flávio ainda precisa lidar com a mulher do pai, que sonhou em ser vice de Tarcísio de Freitas, e com aliados pouco convictos, como Nikolas Ferreira, entre outros. Sem contar a ampla gama de militantes e influenciadores digitais que, ao primeiro sinal de crise na campanha, já se bandearam para a campanha de Zema 3%.
Soma-se a isso a dificuldade de consolidação de um time de comunicação que consiga assumir o controle da narrativa, redirecionar os canhões da mídia para a campanha de Lula e projetar no debate público as linhas mestras de um futuro governo de direita. O que não falta é trabalho para o publicitário Eduardo Fischer e o jornalista Alexandre Oltramari, cujas contratações foram formalizadas hoje, após a saída de Marcello Lopes.
No campo adversário, por sua vez, Flávio enfrenta um sistema de poder nunca antes visto desde a redemocratização, com Lula governando em conluio com a cúpula do Judiciário e o maior grupo de mídia do país. Esse ‘sistema’ difamou e prendeu Jair Bolsonaro, seus ex-ministros e assessores, além de milhares de cidadãos comuns que se indignaram com a eleição do petista lá em 2022.
Esse mesmo sistema, que persegue diariamente qualquer político, empresário ou cidadão comum que o ameace, já deu sinais de que pretende usar de toda sua força para impedir a eleição de Flávio Bolsonaro, transformando em ‘crime hediondo’ um pedido comum de patrocínio para um filme. O mais irônico é que a acusação com ares de condenação parte dos mesmos que se reuniram em agendas secretas com Vorcaro, que fizeram negócios suspeitos com o banqueiro, que se refastelaram em seus bacanais.
Enquanto a direita bobinha parece torcer pelos próximos capítulos da relação de Flávio com o dono do Master, a esquerda cínica dobra a aposta, apagando seus rastros no escândalo e tentando colá-lo no único candidato capaz de retirar Lula do Planalto. Sim, as pesquisas recentes comprovam que a força eleitoral transferida de Jair para o filho é descomunal e ela resiste a tudo, tanto a traições como a perseguições. E a campanha nem começou.