O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora Deolane Bezerra e afirmou não identificar “manifesta ilegalidade” na decisão da primeira instância que determinou a custódia.
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A decisão foi assinada no sábado (23) após a defesa apresentar reclamação ao STF pedindo a revogação da prisão, substituição por prisão domiciliar ou aplicação de medidas cautelares. Dino decidiu não conceder liberdade “de ofício” e afirmou que o caso ainda deve ser analisado pelas instâncias inferiores.
Segundo o ministro, o tipo de ação apresentado pela defesa não permite aprofundamento sobre fatos e provas da investigação. No despacho, Dino escreveu:
“De qualquer maneira, ainda que superado referido óbice, não detecto manifesta ilegalidade ou teratologia hábil à concessão da ordem de habeas corpus de ofício.”
Deolane foi presa na quinta-feira (21) durante operação da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público paulista que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital. A influenciadora nega as acusações e afirma que recebeu R$ 24 mil por serviços advocatícios prestados a um cliente.
A investigação começou em 2019 após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e na rede de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Os documentos continham ordens internas do PCC, contatos de integrantes da facção e referências a ações contra servidores públicos.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, os manuscritos levaram à identificação de uma transportadora usada como empresa de fachada para movimentar recursos da facção criminosa. De acordo com os investigadores, parte do dinheiro passava por contas atribuídas a Deolane.
A polícia afirma que o esquema utilizava depósitos fracionados em espécie para ocultar a origem do dinheiro. O delegado Edmar Caparroz declarou:
“O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”.
As investigações também apontam ligação entre Deolane e familiares de Marcola, apontado como líder do PCC. Segundo a Polícia Civil, o principal elo seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola que vive em Madri, na Espanha.
A prisão preventiva foi decretada após investigadores apontarem risco de fuga. De acordo com o processo, Deolane havia retornado ao Brasil pouco antes da operação, após passar semanas na Europa. O nome dela chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
O inquérito obtido pela TV Globo afirma que Deolane teria papel “central” em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa. O relatório policial diz:
“Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais gerido pela organização criminosa.”
A influenciadora também já havia sido presa em 2025 em investigação da Polícia Civil de Pernambuco relacionada a lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas online. Segundo aquela apuração, ela teria movimentado mais de R$ 65 milhões em imóveis e veículos de luxo ligados ao setor de bets.