A Polícia Federal (PF) rejeitou nesta quarta-feira (20) a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi comunicada pela corporação aos advogados do banqueiro e também ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso no Supremo.
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Apesar da negativa da PF, as tratativas para uma possível colaboração ainda seguem em andamento junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo já vinha sendo conduzido de forma conjunta entre PF e PGR, mas até o momento a Procuradoria não se posicionou sobre a proposta.
Segundo investigadores, o material apresentado pela defesa do banqueiro trouxe poucas informações novas em relação ao que já havia sido reunido pela PF. A avaliação interna é de que Vorcaro teria atuado para resguardar pessoas próximas.
Uma análise preliminar dos celulares de Vorcaro aponta que o caso ultrapassa fraudes financeiras e pode envolver corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada para monitorar adversários e acessar dados sigilosos.
Na última terça (19), por solicitação da PF, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Agora, ele passa a cumprir regras internas da unidade, inclusive para visitas de advogados.
Antes disso, em 19 de março, o banqueiro havia sido levado da Penitenciária Federal de Brasília para a sede da PF na capital. No dia anterior à transferência, a defesa procurou a corporação para comunicar o interesse em negociar uma delação.
No mesmo dia, Vorcaro assinou termo de confidencialidade e abriu formalmente o caminho para a negociação. No início deste mês, a defesa concluiu os anexos da proposta e o material foi entregue às autoridades.
A negociação envolve três pontos principais: o valor de ressarcimento, estimado em cerca de R$ 40 bilhões, com proposta de pagamento em até 10 anos; o regime de cumprimento de pena, com pedido de prisão domiciliar até o julgamento do banqueiro; e o alcance político da eventual colaboração.