O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, rejeitou hoje (21) os pedidos apresentados por parlamentares da oposição para leitura dos requerimentos de criação da CPMI do Banco Master durante sessão conjunta do Congresso.
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“Reitero a pauta única e indefiro todas as questões de ordem levantadas”, declarou Alcolumbre no plenário.
A decisão ampliou a tensão no Congresso e provocou reação imediata de senadores da oposição, que pressionavam pela instalação da comissão para investigar o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis conexões políticas do caso.
Ao justificar a decisão, Alcolumbre afirmou que a pauta da sessão havia sido convocada exclusivamente para análise de vetos ligados à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 e para evitar bloqueios em transferências a municípios.
“O momento da leitura é um ato discricionário da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou.
O presidente do Congresso argumentou que mais de 5 mil municípios aguardam a deliberação dos vetos para evitar paralisação de obras e convênios.
“Hoje no Brasil mais de 5.034 municípios estão aguardando esta sessão”, declarou.
Segundo Alcolumbre, a prioridade da sessão foi definida após pressão de prefeitos durante a Marcha dos Municípios realizada em Brasília.
“Milhares de prefeitos do Brasil estão precisando de um gesto do Congresso Nacional para a deliberação dessa pauta”, disse.
O senador também afirmou que a demora na análise dos vetos pode ampliar o número de municípios impedidos de receber recursos federais.
“Se nós não deliberarmos esse assunto o mais rápido possível, nós vamos continuar transferindo para esses municípios a responsabilidade de obras inacabadas sem recurso na conta”, declarou.
Nos bastidores, líderes da oposição afirmam que a resistência de Alcolumbre aumenta a pressão política sobre o Congresso e fortalece o movimento pela judicialização da CPMI no Supremo Tribunal Federal.
Pressão cresce no STF
Atualmente, existem ao menos dois pedidos de CPMI com número suficiente de assinaturas: 27 senadores e 171 deputados.
Apesar disso, a instalação depende da leitura formal do requerimento pelo presidente do Congresso.
O caso já chegou ao STF. O ministro André Mendonça analisa mandados de segurança apresentados pelos deputados Kim Kataguiri e Lindbergh Farias para obrigar a instalação da comissão.
Nos corredores do Congresso, parlamentares de diferentes partidos admitem que uma eventual CPMI pode atingir autoridades públicas, fundos de previdência, operações financeiras e conexões políticas em vários estados.
A oposição passou a defender publicamente a investigação após o avanço das revelações envolvendo Daniel Vorcaro e políticos ligados a diferentes partidos.
Já integrantes da base governista, que apesar de utilizarem o termo “Bolsomaster”, demonstram receio de que a investigação avance sobre aliados e órgãos federais.