Pelo menos 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sob influência de facções criminosas ou milícias, segundo o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que será votado nesta terça-feira (14).
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O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB/SE), cita pesquisa Datafolha para afirmar que esse contingente convive com a presença direta do crime organizado nos bairros onde mora .
O relatório aponta que o fenômeno está ligado à expansão territorial de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que hoje atuam em praticamente todo o território nacional.
Segundo o texto, o Brasil tem ao menos 90 organizações criminosas mapeadas, com presença em todas as regiões do país.
A CPI afirma que o avanço dessas organizações está diretamente relacionado à ausência histórica do Estado em áreas vulneráveis, o que permitiu a consolidação de estruturas paralelas de poder.
“O atual estado de coisas do domínio territorial por facções e milícias é produto de décadas de omissão e conivência estatais”, diz o relatório .
O documento sustenta que, em diversas regiões, essas organizações passaram a exercer controle social e territorial, impondo regras próprias e explorando atividades ilícitas e até setores da economia formal.
Além do tráfico de drogas, o relatório descreve a atuação das facções em áreas como extorsão, comércio ilegal, garimpo, combustíveis e mercado imobiliário, em um processo que chama de “convergência criminosa” — a união entre crime violento e crime financeiro.
Para o parlamentar, o cenário representa um desafio estrutural ao Estado brasileiro. O texto afirma que, em muitos casos, o poder público atua de forma reativa, enquanto o crime organizado mantém presença contínua e estruturada nas comunidades.
O relatório também destaca que o crescimento dessas organizações foi acompanhado por sua expansão para além das periferias urbanas, atingindo cidades médias, regiões de fronteira e áreas estratégicas para o tráfico internacional.