O empresário Roberto Leme, mais conhecido como “Beto Louco”, aceitou pagar R$ 1 bilhão em impostos devidos ao Estado de São Paulo caso o acordo de delação premiada que apresentou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) seja homologado. A informação é da Folha de S. Paulo.
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Nos anexos já entregues ao MPSP, ele se compromete a detalhar a participação de servidores e magistrados em um esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro revelado pela operação Carbono Oculto.
Deflagrada em agosto de 2025, a operação expôs a infiltração do crime organizado em setores formais da economia, incluindo postos de combustíveis, padarias e fintechs.
Além das revelações, o empresário afirma que vai quitar valores sonegados relacionados às fraudes investigadas.
A proposta de delação dividiu o Ministério Público. Segundo a Folha, promotores do interior de São Paulo são contrários ao acordo e defendem que ele seja rejeitado.
A decisão final deve ser tomada pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, nos próximos dias. Ele deve ser reconduzido ao cargo pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após vencer a eleição interna do Ministério Público realizada no sábado (11).
Foragido desde a decretação de sua prisão, “Beto Louco” também tentou negociar colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR), sem sucesso. Mesmo fora do país, de acordo com a Folha, ele manteve contato com advogados no Brasil para estruturar os anexos da delação.
A nova proposta do empresário não inclui políticos com foro. Em 2025, a PGR, chefiada por Paulo Gonet, já havia rejeitado uma tentativa anterior de acordo que citava diversas autoridades, entre elas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Na época, reportagens mencionaram supostos presentes atribuídos ao empresário, incluindo canetas de alto valor e um show de Roberto Carlos no Amapá, oferecidos em troca de apoio político em decisões envolvendo a ANP e a empresa Copape. Alcolumbre nega.