O Banco Central afirmou nesta quinta-feira (19), ao divulgar a ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), que a liquidação extrajudicial de instituições ligadas ao conglomerado Master não gerou impactos significativos no Sistema Financeiro Nacional.
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Segundo o documento, os mecanismos de proteção existentes, principalmente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), foram acionados e funcionaram como previsto, garantindo a estabilidade do sistema.
“A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do Conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no âmbito do SFN”, registrou a autoridade monetária.
O episódio serviu, na prática, como um teste da capacidade de resposta do sistema financeiro, com os recursos do FGC absorvendo os pagamentos estimados em R$ 51,8 bilhões a clientes e investidores afetados.
No Brasil, o cenário financeiro ainda é considerado sólido, com capital e liquidez suficientes para enfrentar situações de estresse. No entanto, o BC alerta que juros elevados e alto endividamento de famílias e empresas exigem cautela adicional na concessão de crédito. Além disso, a expansão do mercado de capitais, embora amplie opções de financiamento, aumenta a complexidade e os riscos das operações.
O documento destaca ainda preocupações com falhas operacionais e riscos cibernéticos, em um contexto de recentes vulnerabilidades em instituições financeiras e empresas de tecnologia. Nos testes de estresse do Banco Central, o principal risco identificado continua sendo a perda de confiança no regime fiscal, considerado o maior desafio para a estabilidade do sistema.
Apesar da resiliência doméstica, a autoridade monetária ressalta que o cenário global segue tenso, com instabilidade nos preços de commodities e volatilidade cambial.
“O cenário global prospectivo segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais”, apontou o BC, citando a elevação do petróleo e oscilações no dólar como possíveis impactos internacionais.
O Comitê também mencionou a necessidade de acompanhamento contínuo diante da guerra no Oriente Médio e de políticas econômicas externas, alertando que eventos geopolíticos e decisões monetárias em grandes economias podem refletir no Brasil, afetando juros, câmbio e mercados de capitais.
Entre as instituições liquidadas pelo FGC estão o Banco Master, Banco Letsbank, Will Financeira e Pleno Distribuidora, entre outras nove entidades, todas ligadas ao conglomerado do empresário Daniel Vorcaro, que atualmente está preso.