O ministro Luiz Fux ignorou Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizada na última noite (12), em Brasília.
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Segundo relatos de bastidores divulgados por jornalistas que acompanham o Judiciário, Fux cumprimentou apenas parte dos ministros presentes e passou sem falar com Moraes, Gilmar e Zanin ao entrar no plenário da Corte Eleitoral.
O gesto foi interpretado nos bastidores como mais um sinal do desgaste entre Fux e integrantes da ala majoritária do Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio ocorre em meio a divergências acumuladas sobre os processos do 8 de Janeiro, atuação monocrática de ministros e condução de inquéritos no Supremo.
Nos últimos meses, Fux passou a adotar posições divergentes em julgamentos ligados aos atos de 8 de Janeiro. O ministro defendeu penas menores em alguns casos e questionou a aplicação de determinados crimes contra os réus investigados pelos ataques às sedes dos Três Poderes.
As posições criaram atritos diretos com Alexandre de Moraes, relator das ações relacionadas ao 8 de Janeiro. Integrantes do STF também relatam desconforto de Fux com a concentração de decisões individuais em inquéritos conduzidos por Moraes.
Outro ponto apontado nos bastidores é o isolamento de Fux em votações recentes. Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin têm atuado de forma alinhada em temas penais e institucionais analisados pela Primeira Turma da Corte.
A relação entre Fux e Gilmar Mendes também acumula episódios de tensão ao longo dos últimos anos. Os dois já divergiram publicamente em julgamentos envolvendo Lava Jato, limites do Judiciário e atuação do Supremo.
No caso de Cristiano Zanin, ministros avaliam que o distanciamento decorre do alinhamento do magistrado indicado por Lula ao grupo hoje predominante dentro da Primeira Turma do STF.
A posse de Nunes Marques reuniu representantes dos Três Poderes e lideranças políticas em Brasília. Participaram da cerimônia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ministros do STF e STJ, integrantes das Forças Armadas, representantes da OAB, além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques assumiu a presidência do TSE em meio ao avanço das articulações políticas para as eleições de 2026. André Mendonça tomou posse como vice-presidente da Corte Eleitoral.
Após a solenidade, autoridades participaram de uma recepção em Brasília, que reuniu ministros, parlamentares e integrantes do governo em meio às movimentações políticas e institucionais do período pré-eleitoral.