Os EUA e a China devem avançar nesta semana em um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis. A proposta prevê cerca de US$ 30 bilhões em produtos de cada lado com redução de tarifas, sem incluir setores estratégicos. A informação é da Reuters.
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Trump chegou à China na tarde desta quarta (13) em visita oficial, acompanhado de executivos de grandes empresas norte-americanas, entre eles Elon Musk (Tesla e SpaceX) e Tim Cook (Apple).
Também integram a comitiva do republicano: Jensen Huang (Nvidia), Larry Fink (BlackRock), Kelly Ortberg (Boeing), além de executivos da Meta, Visa, JPMorgan e Cargill.
A reunião também deve girar, além do mecanismo comercial, em torno de uma série de temas sensíveis entre os dois países, como armas nucleares, inteligência artificial e Taiwan.
O chamado “Conselho de Comércio” foi citado em março pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. A negociação altera a linha tradicional dos EUA, que deixam de exigir mudança no modelo econômico chinês e passam a focar em setores específicos.
A proposta do conselho mantém tarifas e restrições sobre tecnologias sensíveis e concentra as concessões em áreas não estratégicas.
“Não se trata de uma situação em que vamos fazer com que a China mude sua forma de governar, de administrar sua economia”, disse Greer à Fox Business Network na semana passada. “Tudo isso está embutido no sistema deles, mas acho que existe um mundo em que descobrimos onde podemos otimizar o comércio entre a China e os Estados Unidos para obter mais equilíbrio”.
O representante comercial de Trump comparou o mecanismo a um “adaptador” entre sistemas econômicos distintos.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, se reuniram nesta quarta, por três horas, na Coreia do Sul, para alinhar a proposta. Não houve detalhes divulgados.
Fontes consultadas pela Reuters indicam um pacote inicial de US$ 30 bilhões por lado para redução de tarifas, ainda sem definição de produtos. A ex-negociadora do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, Wendy Cutler, afirmou que os dois lados trabalham com uma faixa entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões.
“A cesta não sensível é agora uma parte muito pequena de nosso comércio geral com a China. Portanto, talvez esse Conselho de Comércio comece com isso” e se expanda no futuro, disse Cutler, que atualmente dirige o Asia Society Policy Center em Washington.
O comércio entre EUA e China caiu 29%, de US$ 582 bilhões em 2024 para US$ 415 bilhões, enquanto o déficit americano recuou para US$ 202 bilhões em 2025. Pequim evita o termo “Conselho de Comércio” e fala em mecanismos de cooperação econômica.
Tarifas seguem em vigor dos dois lados, incluindo sobretaxas sobre energia e alimentos chineses nos EUA e sobre bens industriais e de consumo americanos na China.