A construção do submarino nuclear brasileiro prevê a manutenção de segredos militares acerca do futuro reator da embarcação. Essa é uma demanda que a Marinha não abre mão, e consta na proposta para o estabelecimento de procedimentos especiais para a inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), das Nações Unidas.
A agência pretende submeter o reator ao mesmo tipo de inspeção de instalações atômicas civis, o que o Brasil é contra. A informação foi publicada pelo jornal Estado de S. Paulo.
Para não ser submetido a sanções, o país precisa chegar a um acordo com a agência, isso por causa dos tratados que estabelecem salvaguardas para a não proliferação de armas atômicas.
Segundo a Marinha brasileira, a preocupação da agência internacional é com a propagação nuclear. Atualmente, a agência inspeciona qualquer lugar onde há enriquecimento de urânio.
Desde 1988, a Marinha domina o ciclo completo do enriquecimento de urânio em pequenas quantidades. Com o submarino de propulsão nuclear, a Força Naval vai ter de aumentar essa quantidade.
O Brasil deve incluir a Argentina nas negociações com a AIEA. A Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, criada em 1991, tem o objetivo de garantir que o material atômico dos dois países não seja destinado à construção de armas de destruição em massa.