Plano de IA de Lula vai custar 23 bi e prevê “nuvem soberana””

assessor da Controladoria-Geral da União (CGU), Pablo Ademir de Souza

O governo do presidente Lula (PT) pretende investir R$ 23 bilhões até 2028 para implementar o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), iniciativa que prevê a criação de uma infraestrutura nacional de IA, incluindo uma chamada “nuvem soberana” para armazenamento e processamento de dados estratégicos dentro do território brasileiro.

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A proposta foi destacada pelo assessor da Controladoria-Geral da União (CGU), Pablo Ademir de Souza, durante entrevista à jornalista Antônia Márcia Vale. Ao abordar o papel das empresas estatais na política de inovação do governo, ele defendeu a retomada dos investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

“Após anos de retração, o Brasil vive um novo ciclo de investimentos em pesquisa e inovação feitos diretamente pelo governo com a participação de empresas estatais”, afirmou.

Lançado durante a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, o plano é apresentado pelo governo como uma estratégia para ampliar a capacidade tecnológica do país e reduzir a dependência de plataformas e sistemas estrangeiros. Entre as metas está a construção de um dos supercomputadores mais potentes do mundo, voltado ao processamento de grandes volumes de dados e ao desenvolvimento de modelos avançados de inteligência artificial.

Outro objetivo é criar modelos de linguagem treinados em português e alimentados por bases de dados nacionais. Segundo o governo, a medida busca fortalecer a chamada soberania digital brasileira e garantir maior autonomia no desenvolvimento de ferramentas de IA.

O plano também prevê investimentos na capacitação de profissionais, expansão da infraestrutura computacional, modernização dos serviços públicos e incentivo à inovação empresarial. As ações estão distribuídas em cinco eixos estratégicos: infraestrutura tecnológica, formação de mão de obra, aplicação da IA no setor público, estímulo à inovação privada e governança regulatória.

Durante a entrevista, Pablo Ademir citou projetos que, segundo ele, demonstram o potencial dos investimentos estatais em inovação. Entre os exemplos mencionados estão o nanossatélite VCUB1, utilizado para monitoramento e coleta de dados, e o eVTOL desenvolvido pela Embraer, conhecido popularmente como “carro voador”.

“Esses investimentos já possibilitaram o lançamento do nanossatélite VCUB1, de mapeamento e coleta de dados, e o eVTOL, o carro elétrico voador da Embraer”, declarou.

Embora o governo apresente o PBIA como uma oportunidade para posicionar o Brasil entre os líderes globais em inteligência artificial, o volume de recursos previsto chama atenção. O programa prevê R$ 23 bilhões em investimentos públicos e privados ao longo de quatro anos, em um momento em que o governo enfrenta pressões fiscais e dificuldades para equilibrar as contas públicas.

A administração federal sustenta que o projeto é essencial para ampliar a competitividade do país e garantir independência tecnológica em áreas consideradas estratégicas. Já críticos da iniciativa questionam o custo bilionário do plano e a capacidade do governo de entregar os resultados prometidos diante das restrições orçamentárias e dos desafios históricos de execução de grandes projetos públicos.



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