“Pode vir chinês (…) americano”, diz Lula sobre terras raras

Presidente Lula durante visita às quatro novas linhas de luz do CNPEM, no Polo II de Alta Tecnologia de Campinas - Ricardo Stuckert / PR

O Lula afirmou hoje (18) que o Brasil não abrirá mão da soberania sobre minerais críticos e terras raras existentes no país. A declaração foi feita durante evento no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, no interior de São Paulo.

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Lula disse que o governo aceita parcerias internacionais para exploração desses recursos, desde que as atividades ocorram em território nacional.

“Não temos preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão de sua soberania para dizer que os minerais críticos e as terras raras são nossas e que queremos explorá-la aqui dentro”, afirmou.

Ao comentar a disputa entre Donald Trump e Xi Jinping, Lula disse esperar que os dois países se associem ao Brasil na exploração dos minerais estratégicos.

“Estamos nos tempos das terras raras. A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência para a gente dar um salto de qualidade e ver se num curto espaço de tempo a gente faz o Trump parar de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, declarou.

O discurso ocorreu durante a inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, equipamento utilizado em pesquisas avançadas nas áreas de saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.

As novas linhas receberam os nomes de Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê. O investimento total foi de R$ 800 milhões, com recursos do novo PAC e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Segundo o governo, o Sirius é a maior infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo. Entre 85% e 90% dos componentes do equipamento foram produzidos ou desenvolvidos no país.

Durante o evento, Lula também afirmou que projetos estratégicos precisam receber investimento público quando considerados viáveis.

“Não me convença com discurso, me convença com projeto. Se o projeto for factível, se ele tiver começo, meio e fim, não haverá problema em arrumar dinheiro e aprovar qualquer projeto desse país”, disse.

A ministra Luciana Santos afirmou que o Sirius colocou o Brasil em um grupo restrito de países que dominam a tecnologia de luz síncrotron de quarta geração.

“O Sirius colocou o país em outro patamar científico e tecnológico. O Brasil passou a integrar um grupo extremamente restrito e seleto de países que dominam tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração”, declarou.

Além da inauguração das novas linhas, o governo lançou a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, voltado ao desenvolvimento de tecnologias para o Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos.



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