A Polícia Federal (PF) marcou uma nova rodada de depoimentos no inquérito que apura supostas irregularidades em operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Entre os convocados está o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master e apontado pelos investigadores como personagem central nas negociações que envolveram a transferência de carteiras de crédito ao banco público. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Além dele, a PF também intimou o ex-diretor financeiro do Master Ângelo Ribeiro Silva, que, segundo as investigações, integrava um grupo de WhatsApp usado para discutir a elaboração de contratos e documentos destinados a dar respaldo formal às operações analisadas no inquérito.
Funcionários do segundo escalão do BRB com conhecimento das transações também devem prestar esclarecimentos na condição de testemunhas.
A oitiva de Augusto Lima é considerada estratégica para o avanço da investigação. Em janeiro, ele chegou a ser intimado, mas o depoimento acabou cancelado após a defesa informar que o empresário permaneceria em silêncio sem acesso integral aos autos.
Augusto Lima ficou conhecido por criar o Credcesta, modelo de crédito consignado voltado inicialmente a servidores públicos da Bahia e que posteriormente se tornou um dos principais ativos do Banco Master. Ele também manteve proximidade política tanto com integrantes do PT baiano quanto com grupos de oposição no estado.
As apurações da PF indicam que Lima era acionado diretamente por Daniel Vorcaro desde meados de 2024 para auxiliar na liberação de créditos junto ao BRB, período em que o banco público passou a ser utilizado para socorrer financeiramente o Master. O empresário foi alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero e, depois de deixar o banco, tentou lançar uma nova instituição financeira, o Banco Pleno, cuja operação acabou comprometida após a crise envolvendo o Master.
Investigadores já reuniram indícios de que gestores do BRB teriam ignorado alertas sobre possíveis inconsistências nas carteiras de crédito negociadas com o Master para manter as operações em andamento. A suspeita é de que os aportes feitos pelo banco público, estimados em pelo menos R$ 12 bilhões, tenham servido para cobrir déficits financeiros da instituição privada.
Em documentos da investigação, a PF afirma haver elementos que afastariam a tese de que o BRB tenha atuado apenas como vítima nas operações sob suspeita. A nova etapa de depoimentos faz parte da reta final do inquérito que apura a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.