O governo federal revisou para cima a projeção da inflação para 2026 e passou a estimar que o índice oficial de preços encerrará o ano em 4,5%. O novo percentual foi divulgado nesta segunda-feira (18) no Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda e representa uma alta em relação à previsão anterior, de 3,7%. Apesar do aumento esperado nos preços, a equipe econômica decidiu manter a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3%.
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A nova projeção coloca a inflação acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%. O governo atribui a revisão principalmente ao cenário externo, marcado pela valorização do petróleo no mercado internacional e pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Segundo a avaliação da Secretaria de Política Econômica (SPE), o aumento das tensões internacionais alterou as expectativas sobre a trajetória dos preços ao elevar custos em setores estratégicos. A alta da commodity impacta combustíveis, logística, transporte e cadeias industriais, produzindo reflexos em diferentes segmentos da economia.
O documento aponta que a cotação média do petróleo para este ano sofreu reajuste expressivo, elevando a pressão sobre a inflação. O efeito, segundo a análise do governo, tende a se espalhar pela economia e atingir desde produtos industrializados até itens de consumo básico.
A equipe econômica também avalia que os preços podem enfrentar pressões adicionais vindas do setor de alimentos. Questões relacionadas ao ciclo pecuário e possíveis fenômenos climáticos, como o El Niño, aparecem entre os fatores monitorados por técnicos do governo.
Apesar das revisões, a Fazenda argumenta que alguns elementos internos podem amenizar parte do impacto. Entre eles estão a valorização do real, a manutenção de juros elevados e medidas adotadas para reduzir o peso dos combustíveis sobre o consumidor.
Mesmo com a expectativa de inflação maior, a projeção de crescimento econômico foi mantida em 2,3%, sustentada principalmente pela atividade nos setores de serviços e indústria. O governo também afirma observar sinais positivos no mercado de trabalho e aposta na continuidade da atividade econômica.
As estimativas oficiais seguem mais otimistas do que as projeções do mercado financeiro. Dados do Boletim Focus indicam expectativa de crescimento do PIB em 1,85% e inflação de 4,92% ao final de 2026. Historicamente, as projeções do governo e de agentes financeiros costumam divergir, especialmente em cenários de maior volatilidade econômica.