Documentos obtidos pelo Metrópoles com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o Banco Master vendeu ao Banco de Brasília (BRB) uma carteira de crédito ligada a um empréstimo de R$ 198 milhões sem garantia real válida.
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Segundo os registros, um imóvel localizado em Mata de São João (BA) foi incluído como garantia na operação. No entanto, o terreno não pertencia ao Master e não há qualquer registro de alienação em favor do BRB, como exigido nesse tipo de transação.
O crédito teve origem em dezembro de 2023, quando o Master liberou R$ 378 milhões à empresa Lorde Participações por meio de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI). A empresa possui capital social de R$ 1 mil e registrou prejuízo de R$ 60 mil no mesmo ano, de acordo com parecer interno da Diretoria de Controle e Riscos do BRB.
Em setembro de 2024, o Master transferiu o crédito ao BRB por contrato de compra e venda. No acordo, o banco se comprometeu a converter o CRI em cédula de crédito bancário (CCB) e apresentar garantia imobiliária no prazo de 60 dias.
Dois meses depois, em novembro, o Master apresentou documentação indicando a conversão da operação. O imóvel em Mata de São João passou a constar como garantia. Avaliação feita em dezembro atribuiu ao terreno, com cerca de 3 milhões de metros quadrados, valor de R$ 243,6 milhões.
O mesmo imóvel aparece em outra operação envolvendo o Master. Em outubro de 2024, o terreno foi usado como garantia em um crédito de R$ 407 milhões para a empresa RKO Alimentos Ltda. Nesse caso, o ativo foi avaliado em R$ 1,4 bilhão.
A Diretoria Colegiada do BRB aprovou, em 19 de dezembro de 2024, a compra do crédito de R$ 198 milhões vinculado à Lorde Participações, considerando o imóvel como garantia.
Consulta à matrícula do terreno, porém, não aponta qualquer vínculo com a operação. Sem esse registro, o BRB não pode executar o imóvel em caso de inadimplência.