O governo Lula está considerando a possibilidade de expulsar agentes norte-americanos que trabalham no Brasil, em retaliação ao pedido dos Estados Unidos para a remoção de um delegado da Polícia Federal envolvido no caso da prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência.
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Delegados da PF atuam nos Estados Unidos e agentes norte-americanos trabalham no Brasil com base em um memorando de entendimento firmado entre os dois países para cooperação policial. Segundo fontes da PF, o acordo segue em vigor e teria sido renovado em 2025, já na gestão de Donald Trump.
Ontem (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, por meio de redes sociais, que solicitou a saída do delegado Marcelo Ivo após o monitoramento que levou à prisão de Ramagem no país.
A mensagem afirma que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”.
Até o momento, não houve explicação formal ao governo brasileiro além da publicação nas redes sociais, segundo fontes diplomáticas.
A medida surpreendeu o governo, que passou a avaliar respostas ao episódio. Inicialmente, o Itamaraty solicitou esclarecimentos formais às autoridades americanas. Há a possibilidade de ausência de respostas detalhadas.
Diante desse cenário, o governo avalia alternativas. Entre elas, ignorar o episódio ou intensificar a cobrança por explicações. Também é considerada a aplicação do princípio da reciprocidade, com eventual expulsão de agente norte-americano em atuação no Brasil.
O presidente Lula mencionou essa possibilidade hoje (21), antes de deixar Hannover, na Alemanha.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, disse o presidente.
O princípio da reciprocidade prevê tratamento equivalente entre países, com respostas proporcionais a ações adotadas por outro Estado.