O general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na segunda-feira (21), um termo de declarações que descarta a participação do ex-assessor Filipe Martins em uma reunião no Palácio da Alvorada, em 7 de dezembro de 2022, onde se teria discutido a minuta de um fantasioso golpe de Estado.
Arrolado como testemunha de Martins, Freire Gomes esclareceu que o objetivo do documento é evitar mal-entendidos sobre suas declarações anteriores à Polícia Federal (PF).
Na reunião, segundo o general, estiveram presentes o então presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Oliveira, e o almirante Almir Garnier. Durante o encontro, um assessor jurídico entrou rapidamente na sala para apresentar “considerandos jurídicos” relacionados à minuta. Freire Gomes apontou que a passagem do assessor foi breve, sem interação com os participantes, e afirmou não se lembrar da identidade da pessoa. Ele negou categoricamente que possa confirmar se era Filipe Martins.
Em depoimento à PF em março de 2024, Freire Gomes mencionou a possibilidade de o assessor ser Martins, mas esclareceu que o termo “possivelmente” não indica certeza. “Não reconheci essa pessoa como Filipe Martins. O termo ‘possivelmente’ reflete uma possibilidade remota, não uma identificação segura”, disse.
Filipe Martins, acusado de contribuir para a redação da “minuta do golpe”, nega as alegações e afirma não ter comparecido ao Alvorada na data citada. Freire Gomes reforçou: “Não conhecia Filipe Martins, não participei de reuniões com ele e não posso afirmar que ele esteve naquela reunião.”
O documento enviado ao STF busca esclarecer os fatos e evitar interpretações erradas, reforçando a posição do general de que não há elementos para vincular Martins ao episódio.
Fonte: Claudio Dantas