Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta manhã (28) a sua saída da Opep e da aliança Opep+, com efeito a partir de 1º de maio. A decisão ocorre em meio à escalada de tensões no Golfo Pérsico e ao bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.
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Segundo a agência estatal WAM, o país justificou a medida por “interesses nacionais” e pela necessidade de responder à volatilidade que afeta a oferta global de petróleo.
De acordo com o comunicado, a decisão foi motivada “por interesses nacionais e pelo compromisso do país de contribuir ativamente para atender às necessidades urgentes do mercado, especialmente considerando a atual volatilidade geopolítica de curto prazo decorrente dos distúrbios no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que estão afetando a dinâmica da oferta”.
A agência também afirmou que “as tendências fundamentais indicam um crescimento contínuo da demanda global de energia no médio e longo prazo” e que “a estabilidade do sistema energético global depende da disponibilidade de suprimentos flexíveis, confiáveis e acessíveis”.
A saída ocorre em um momento de forte retração da produção de petróleo. Em março, a Opep produziu cerca de 8 milhões de barris por dia a menos, queda de 27,5% em relação a fevereiro, em meio à guerra entre EUA e Israel contra o Irã e ao bloqueio de Ormuz pelo regime dos aiatolás.
O ministro de Energia e Infraestrutura, Suhail bin Mohammed Al Mazrouei, afirmou que a decisão “reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos de longo prazo do mercado”.
Os Emirados integravam a Opep desde 1967, ainda por meio de Abu Dhabi, e mantiveram a participação após a formação do país, em 1971. Segundo a WAM, “ao longo desse período, o país desempenhou um papel ativo no apoio à estabilidade do mercado global de petróleo e no fomento do diálogo entre os países produtores”.
Mazrouei destacou que os Emirados “são um produtor confiável de alguns dos óleos mais competitivos em termos de preço e com menor intensidade de carbono do mundo, contribuindo para o crescimento global e a redução das emissões”.
Apesar da saída, o governo afirmou que manterá atuação no mercado. Segundo o ministro, “após sua saída da OPEP, os Emirados Árabes Unidos continuarão a desempenhar seu papel responsável, aumentando a produção de forma gradual e prudente” e seguirão “colaborando com seus parceiros para desenvolver recursos”.
“Essa decisão não altera o compromisso dos Emirados Árabes Unidos com a estabilidade do mercado global nem sua abordagem baseada na cooperação com produtores e consumidores”.
O país também agradeceu à Opep e à Opep+, lideradas por Arábia Saudita e Rússia, mas afirmou que “chegou a hora de concentrar esforços nos interesses nacionais dos Emirados Árabes Unidos”.
“Os Emirados Árabes Unidos continuarão a investir em toda a cadeia de valor da energia, incluindo petróleo e gás, energias renováveis e soluções de baixo carbono, para fortalecer a resiliência e a transformação a longo prazo do seu sistema energético”, concluiu o comunicado.