Muitos me perguntam por que a Faria Lima, os institutos de pesquisa e a mídia do pix resolveram, de uma hora para outra, embarcar na campanha de Ronaldo Caiado. Há uma resposta longa, que envolve a sinalização a Washington sobre terras raras, e uma resposta curta, que justifica a confirmação de Gilberto Kassab de vice. As duas levam ao mesmo diagnóstico e à mesma estratégia. O diagnóstico é de que, para Donald Trump, Lula é o próximo Nicolás Maduro. A estratégia é a de tentar ser a próxima Dercy Rodrigues, a vice do ditador que virou presidente biônica na Venezuela.
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Sim, Caiado que ser Dercy, assim como Geraldo Alckmin e até Renan Santos. Todos topam tudo para servirem de fantoche de Washington. Lula também queria e até mandou emissários avisarem a Casa Branca que, depois da eleição, ele estaria disposto a negociar qualquer coisa — seu passado de sindicalista não me deixa mentir. O problema é que ninguém no atual governo americano, especialmente no Departamento de Estado de Marco Rubio, confia no pai do Foro de São Paulo, chefe do maior esquema de corrupção da história e aliado de ditadores mortos ou presos pelos EUA.
Sim, Lula será o próximo Maduro e isso está escrito nas entrelinhas do paper que justificou a renovação do decreto de emergência de Trump sobre o Brasil, país que se tornou uma ameaça à soberania americana. E como o Brasil é generoso, talvez tenhamos o privilégio de oferecer ao laranjão não um, mas dois Maduros. O segundo? Alexandre de Moraes, claro! O ministro, que já foi alvo da Magnitsky, descobriu que sua relevância para o sistema está em perseguir a família Bolsonaro, prometendo extirpá-los da política. Fez isso com Jair e Eduardo. Agora, ensaia o mesmo com Flávio, que pode virar a Maria Corina Machado das eleições de 2026.
Sim, Moraes retirou da disputa na canetada a maior liderança popular do país e está disposto a fazer o mesmo com o filho Flávio, igualzinho fez o Supremo bolivariano, primeiro com Corina Machado, depois com Corina Yoris, sua aliada. Resta saber quem será Edmundo González, o candidato de uma oposição permitida, que venceu mas não levou. No nosso caso, nem teremos a chance de recontar os votos e o nosso Edmundo nem saberá que venceu. Caiado, talvez, possa ser Edmundo, em vez de Dercy. Pensando bem, Alckmin está bem mais para a vice de Maduro, desfrutava de sua intimidade, conhecia seus passos e foi fundamental para delatar a localização do ditador venezuelano à inteligência americana.
É provável que, num futuro próximo, muitos brasileiros saiam às ruas para comemorar uma operação das Forças Especiais americanas contra Lula e Moraes. O problema é que, no dia seguinte, Alckmin — ou quem quer que seja a nossa Dercy — vai assumir o Planalto já sob a tutela dos EUA. Nossa oligarquia corrupta será automaticamente domesticada por Washington, como ocorreu com os boligarcas de lá. É possível que, assim como na Venezuela, alguns dos nossos presos políticos sejam liberados. Talvez Flávio ou o próprio Jair venham a ser indicados ao Nobel, como Corina, mas a democracia não rebrotará de uma ação militar noturna.
E o dinheiro continuará circulando, por novas contas, nenhuma delas do cidadão comum, o eleitor pagador de impostos.