A três meses das eleições, governo lança Desenrola MEI

ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira.

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (3), a três meses das eleições, o lançamento do Desenrola MEI, programa voltado à renegociação de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs).

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A iniciativa prevê descontos de até 70% sobre juros e multas, parcelamento em até 145 meses e é destinada a débitos inscritos na dívida ativa da União de até R$ 20 mil.

O anúncio foi feito pelo ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira. Segundo o governo, cerca de 3,5 milhões de microempreendedores poderão ser beneficiados pela medida.

De acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), os descontos variam conforme a capacidade de pagamento do contribuinte. Quem optar pela quitação à vista poderá obter abatimentos maiores. Já os débitos inscritos há mais de um ano terão desconto linear de 50% e poderão ser parcelados em até 60 meses. Em todas as modalidades, a parcela mínima será de R$ 25.

A procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Lenzi, afirmou que o programa contempla apenas débitos inscritos em dívida ativa da União. Dívidas com instituições financeiras, públicas ou privadas, não poderão ser renegociadas pelo Desenrola MEI.

Aumento do teto do MEI

Durante a coletiva, Paulo Henrique Pereira também voltou a defender o projeto de lei complementar enviado nesta semana ao Congresso Nacional que amplia o limite anual de faturamento do MEI.

A proposta prevê um reajuste gradual do teto, passando dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e chegando a R$ 140 mil em 2028. O texto ainda autoriza que o microempreendedor possa contratar até dois empregados, em vez do limite atual de um.

Segundo o ministro, a atualização do teto representa um custo estimado de R$ 3,5 bilhões. Apesar disso, ele afirmou que a medida não deverá produzir impacto fiscal para o governo.

“O governo cortou da própria carne”, declarou.

Simples Nacional fica fora

Enquanto defende a atualização do limite de faturamento do MEI, o governo descarta, neste momento, alterar as faixas do Simples Nacional.

Segundo Paulo Henrique Pereira, uma eventual correção do teto do regime tributário das micro e pequenas empresas poderia gerar uma renúncia fiscal de até R$ 50 bilhões, valor que, segundo ele, inviabiliza a medida no atual cenário das contas públicas.

“O debate do Simples é mais complexo do que o debate do MEI, porque demanda uma capacidade orçamentária muito maior”, afirmou.

Compras públicas

O governo também anunciou a ampliação da plataforma Contrata+Brasil, que conecta órgãos públicos a prestadores de serviços cadastrados como MEIs.

Segundo o Ministério do Empreendedorismo, o número de atividades econômicas aptas a participar da plataforma passará de 107 para 141 Classificações Nacionais de Atividades Econômicas (CNAEs), com a inclusão de 34 novas categorias.

A medida, de acordo com o governo, busca ampliar a participação dos microempreendedores em contratações realizadas pelo poder público.



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