O Supremo Tribunal da Espanha condenou nesta segunda-feira (22) o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos a 24 anos e três meses de prisão por envolvimento em irregularidades na contratação de máscaras durante a pandemia de Covid-19 e em processos de contratação pública em empresas estatais.
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A decisão também alcança o ex-assessor Koldo García, condenado a 19 anos de prisão, e o empresário Víctor de Aldama, apontado como intermediário no esquema e sentenciado a quatro anos e meio. Aldama, no entanto, não cumprirá pena em regime fechado após colaborar com as investigações.
Segundo informações divulgadas pela agência EFE, o julgamento foi concluído com condenação unânime dos sete magistrados da Corte.
Organização criminosa e contratos na pandemia
De acordo com a sentença, Ábalos e García integraram uma estrutura criminosa responsável por fraudes em contratos públicos relacionados à compra de equipamentos de proteção durante a pandemia.
O tribunal apontou a existência de divisão de funções entre os réus e os condenou por crimes como organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência.
A Corte também destacou o impacto institucional do caso, afirmando que houve “grave deterioração da confiança dos cidadãos no sistema político provocada pela corrupção”.
O esquema envolvia contratos para fornecimento de milhões de máscaras a órgãos públicos espanhóis, com participação de empresas intermediadas por Aldama, que atuava como elo entre agentes políticos e empresários.
Colaboração premiada e redução de pena
O empresário Víctor de Aldama foi o único dos três réus a não receber pena de prisão efetiva após admitir participação no pagamento de propinas e colaborar com a Justiça.
Em sua delação, ele afirmou ter repassado valores a integrantes do esquema em troca de favorecimento em contratos públicos durante a crise sanitária.
Repercussão política e impacto no governo Sánchez
A condenação de Ábalos, que foi um dos principais nomes do governo de Pedro Sánchez e figura influente no Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), amplia a pressão política sobre o Executivo espanhol.
A decisão ocorre em meio a outras investigações envolvendo pessoas próximas ao primeiro-ministro, incluindo processos contra aliados políticos e familiares, o que tem alimentado críticas da oposição e tensionado o cenário político no país.
O caso integra o conjunto de investigações conhecido como “caso Koldo”, que ainda possui ramificações em análise na Justiça espanhola.
Defesa e alegações no processo
Durante o julgamento, Ábalos negou as acusações e afirmou que o processo teria motivação política, alegando distorção dos fatos por adversários.
A sentença ainda não encerra completamente o caso, já que outras frentes de investigação relacionadas ao mesmo esquema seguem em andamento no sistema judicial espanhol.