O Lula afirmou hoje (3) que o Brasil buscará novos parceiros comerciais caso os Estados Unidos avancem com a proposta de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
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Segundo Lula, o governo não pretende reagir com lamentações diante da ameaça comercial apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
“Não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se ele não quiser comprar, vamos procurar outro.”
O presidente também anunciou que pretende intensificar a ofensiva política e diplomática contra a medida. Lula disse que enviará uma nova carta ao presidente Donald Trump e publicará novos artigos na imprensa internacional para contestar as conclusões do governo americano.
“Eu ainda vou mandar outra carta para o presidente Trump. Vou escrever quantos artigos precisar escrever na imprensa americana e na imprensa mundial para mostrar que eles estão errados e induzindo o mundo a violência desnecessária.”
As declarações ocorrem após o USTR recomendar a aplicação de tarifas de 25% sobre importações brasileiras. Além disso, o órgão propôs novas sobretaxas de 10% a 12,5% contra o Brasil e outras 59 economias por supostas falhas no combate ao comércio de produtos ligados ao trabalho forçado.
Durante a reunião, Lula afirmou que o governo foi surpreendido pela iniciativa americana e criticou o tratamento dado ao Brasil nas últimas semanas.
“O que é importante vocês saberem é que estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e até parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo. A nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como uma republiqueta insignificante.”
O presidente também aproveitou o encontro para orientar ministros a reforçarem a narrativa do governo sobre a disputa comercial com Washington. Sem citar nomes, Lula voltou a associar o avanço das medidas americanas à atuação de adversários políticos brasileiros nos Estados Unidos.
“Vocês não podem deixar de dizer isso: Estão tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria.”
A reunião ministerial foi convocada inicialmente para alinhar a atuação do governo antes do início das restrições eleitorais. No encontro, Lula também determinou que ministros concentrem esforços na execução de programas e obras já anunciados, evitando o lançamento de novas iniciativas até o período eleitoral.
“Nós temos sete meses antes de terminar o mandato. Temos até dia três de julho para fazermos todas as entregas que temos que fazer.”
O presidente ainda orientou que inaugurações e eventos oficiais sejam previamente comunicados à Casa Civil.
“É muito importante que vocês não inaugurem nada sem passar pela Casa Civil.”
As restrições previstas na legislação eleitoral passam a valer a partir de 4 de julho, três meses antes do primeiro turno das eleições de 2026.