O presidente Lula afirmou nesta manhã (3) que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, é um “latino-americano frustrado” e disse que ele “não gosta da América Latina e muito menos do Brasil”. A declaração foi dada em Reunião Ministerial no Palácio do Planalto.
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Ao abordar a relação com Washington, Lula afirmou que tentou dialogar diretamente com a sociedade americana para contestar as medidas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
“Eu já tinha dito e vou dizer para vocês, ao presidente Trump, esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado.”
O presidente também questionou a postura do secretário de Estado em relação à região e mencionou declarações recentes feitas por Rubio sobre o alinhamento de países latino-americanos aos interesses norte-americanos.
“Ele falou ontem no Senado que ele está muito feliz, porque eles estão conseguindo fazer a América Latina, com exceção do Brasil, com exceção da Nicarágua, com exceção de Cuba e com exceção da Colômbia, está fazendo a América Latina muito, mas muito próxima dos Estados Unidos.”
Lula afirmou que o Brasil conhece o histórico das relações entre os dois países.
“Ele não sabe que nós já sabemos que antes dessa jogada deles, esse país foi vítima de golpe em 1964, e naquele tempo articulado por embaixadores americanos no Brasil.”
Segundo o presidente, o governo brasileiro não pretende ampliar o conflito diplomático e busca preservar a relação institucional construída ao longo de mais de dois séculos entre Brasil e Estados Unidos.
“É importante que eles saibam que nós não queremos guerra, é importante que eles saibam que nós queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos.”
Lula também voltou a relatar o encontro realizado com Donald Trump em Washington. De acordo com o presidente, a reunião durou cerca de três horas e incluiu discussões sobre temas comerciais entre os dois países.
Segundo ele, divergências entre integrantes dos governos levaram à proposta de um prazo de 30 dias para negociação antes de qualquer medida adicional.
“Já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar 30 dias para que os dois se entendam. Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás, mas se você estiver errado, você volta atrás.”
O presidente afirmou que as negociações ainda não foram concluídas e disse ter sido surpreendido pelas novas medidas anunciadas pelos Estados Unidos.
“Essa reunião ainda não concluiu nada. Por isso a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil.”