A Polícia Federal transferiu o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da corporação em Brasília e endureceu as regras para visitas de advogados. As mudanças começaram a valer nesta segunda-feira (18) e alteraram a rotina de custódia do dono do Banco Master, preso preventivamente no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero.
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Até então, Vorcaro ocupava uma sala especial dentro da Superintendência da PF — espaço que já havia sido utilizado anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante período em que permaneceu detido na corporação. Com a alteração, o banqueiro passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito na unidade.
Além da mudança de cela, a Polícia Federal também passou a aplicar controles mais rígidos no acesso da defesa ao banqueiro. As visitas passaram a obedecer horários específicos e regras determinadas pela custódia da corporação.
As alterações ocorreram após autorização para aplicação das regras ordinárias de funcionamento da Superintendência da PF. Até a mudança, Vorcaro mantinha uma rotina com maior flexibilidade para encontros com advogados.
Preso preventivamente pela segunda vez em março, Vorcaro é investigado por suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas relacionadas ao caso Master. As apurações são conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero.
A mudança na custódia ocorre em meio a dificuldades nas negociações para um possível acordo de colaboração premiada. Nos bastidores, investigadores avaliam que a primeira proposta apresentada pela defesa não atendeu às expectativas das autoridades responsáveis pelas apurações.
Integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) entendem que elementos extraídos de celulares apreendidos durante a investigação apontam informações que ainda não teriam sido incluídas nas tratativas conduzidas até agora.
O avanço das investigações também elevou a pressão sobre o banqueiro diante da possibilidade de novos envolvidos buscarem acordos de colaboração.
Na última semana, a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. Ele é suspeito, segundo a investigação, de atuar como operador financeiro de um grupo ligado ao esquema investigado. A defesa classificou a prisão como “grave” e “desnecessária”.