Crises viraram “paisagem permanente” nas democracias

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta tarde (19) que as crises nas democracias contemporâneas deixaram de ser excepcionais e passaram a configurar uma “paisagem permanente”.

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A declaração foi feita por Fachin durante evento no salão nobre da Corte em homenagem ao Dia Nacional da Defensoria Pública.

No discurso, Fachin descreveu a atualidade como um cenário de instabilidade institucional, polarização e dificuldade de construção de consensos. Segundo ele, “o conflito tornou-se a gramática cotidiana do Estado de Direito” e que a fragmentação política tem corroído acordos básicos nas democracias.

“Os tempos, como disse e repito, são tempos interpelantes. A história está de volta. As crises deixaram de ser exceção para converterem-se em paisagem permanente da vida pública contemporânea. O conflito tornou-se a gramática cotidiana do estado de direito e das democracias”, afirmou o ministro.

“A polarização fragmenta consensos mínimos; a velocidade da informação dissolve fronteiras entre fato, opinião e espetáculo; e as forças de desagregação institucional e as forças da economia da atenção passaram a operar como verdadeiras turbinas da instabilidade”, continuou Fachin.

O magistrado também destacou o impacto da “economia da atenção” e da velocidade da informação nos tempos atuais, que, de acordo com ele, ampliam a instabilidade institucional ao embaralhar fato, opinião e espetáculo.

Diante desse cenário, o ministro afirmou que o Judiciário e as instituições são desafiados a refletir sobre o futuro do sistema de Justiça. “Estamos sendo interpelados a responder que sistema de justiça iremos legar nos próximos 75 anos”, disse.

Defendeu também que a preservação das instituições é essencial para a democracia, mas ressaltou que sua sobrevivência não depende apenas da estrutura formal.

Segundo Fachin, a sustentação do regime democrático exige também compromisso social com a cultura da liberdade.

Durante a cerimônia, o presidente do STF reforçou o papel da Defensoria Pública no acesso à Justiça para populações vulneráveis. Afirmou que a instituição é essencial para cumprir o compromisso constitucional de garantir assistência jurídica a quem não tem condições de acessar o sistema judicial.



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