O presidente da Federação Brasileira de Bancos, Isaac Sidney, criticou a nova versão do programa Desenrola, elaborada pelo governo federal para ampliar a renegociação de dívidas no país.
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Segundo Sidney, há resistência do setor bancário à proposta por considerar que o programa pode estimular novos atrasos de pagamento e ampliar o endividamento das famílias.
“Há uma resistência da indústria bancária como um todo. Repactuar de forma genérica dívidas que não têm atraso é estimular a inadimplência e fazer com que haja impactos relevantes na racionalidade econômica daquela operação”, afirmou em entrevista ao UOL hoje (18).
O presidente da Febraban também criticou a tentativa do governo de uniformizar o tratamento dado aos consumidores endividados. Para ele, cada instituição financeira deve avaliar individualmente a situação de seus clientes.
“Deveria caber a cada instituição financeira analisar a situação concreta do cliente”, disse. Segundo Sidney, “é o banco que conhece a jornada de relacionamento e a capacidade de pagamento”.
Na primeira fase, o Desenrola concentrou as negociações em uma plataforma própria para intermediar acordos de dívidas. O governo informou que cerca de 15 milhões de pessoas participaram do programa, em renegociações que somaram R$ 53,5 bilhões.
Mesmo após a iniciativa, o endividamento das famílias com o sistema bancário atingiu 49,9%, maior nível da série histórica do Banco Central do Brasil.
Já a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, apontou que 80,4% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, também no maior patamar registrado pela metodologia.
Para Isaac Sidney, o principal problema do Desenrola é atacar apenas a renegociação das dívidas sem enfrentar as causas estruturais do endividamento no país.