O produtor executivo Elsinho Mouco afirmou nesta quinta-feira (14) que um fundo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investiu R$ 1 milhão no documentário “963 Dias”, obra sobre o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). A declaração foi feita horas após o marqueteiro negar a existência de patrocínio.
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Segundo nota divulgada à imprensa, Mouco afirmou que optou inicialmente por não revelar os financiadores do projeto porque contratos de patrocínio podem conter cláusulas de confidencialidade. Após a repercussão do caso, porém, a equipe jurídica da produção decidiu divulgar as informações.
“Diante do noticiário recente, nosso jurídico entendeu que o interesse público deveria prevalecer sobre o sigilo”, afirmou.
De acordo com o produtor, o fundo Moriah Asset, vinculado à família Vorcaro, adquiriu uma cota de R$ 1 milhão no fim de 2023, quase três anos antes do lançamento previsto do documentário. Mouco afirmou ainda que o orçamento total do filme gira em torno de R$ 12 milhões e que nenhum patrocinador participou com mais de 10% do valor da produção.
O documentário “963 Dias” retrata o período do governo Temer e tem estreia prevista para o fim de junho.
A declaração ocorre em meio à repercussão de mensagens e áudios divulgados pelo The Intercept Brasil, que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando o empresário Daniel Vorcaro por pagamentos em atraso ligados ao financiamento do filme “Dark Horse”, projeto sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a reportagem, a produção teria orçamento estimado em R$ 134 milhões, dividido em 14 parcelas. O material também aponta que ao menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões — teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.
Após a divulgação do caso, aliados de Flávio passaram a argumentar que o financiamento privado de produções audiovisuais não seria um caso isolado e citaram investimentos relacionados a obras sobre outros ex-presidentes.