O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) afirmou nesta quarta-feira (6) que está disposto a retirar sua candidatura ao Senado por São Paulo, desde que o PL substitua o presidente da Alesp, André do Prado, pelo vice-prefeito da capital paulista, Mello Araújo, como nome do partido na disputa.
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A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, em resposta direta ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vem defendendo André do Prado como candidato do campo bolsonarista ao Senado em 2026.
“Se vocês colocarem o Mello Araújo, que realmente é de direita, eu abro mão da minha candidatura e apoio Mello Araújo”, afirmou Salles. “Fica só o Derrite e o Mello Araújo.”
No vídeo, o parlamentar endureceu o discurso contra André do Prado e o associou ao presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.
“Eu para o André do Prado, pupilo do Valdemar, não abro mão de jeito nenhum. Porque ele é centrão. Nunca foi, não é, jamais será de direita”, declarou.
Resposta a Eduardo Bolsonaro
A manifestação de Salles ocorre após Eduardo Bolsonaro criticar publicamente o deputado do Novo durante entrevista à rádio Auriverde Brasil. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ter deixado de disputar o Senado e acusou Salles de ter adotado postura moderada após se tornar alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Bastou ele responder a um processinho no STF que ele já botou o rabinho entre as pernas”, afirmou Eduardo.
O ex-deputado também declarou que poderia ter preservado sua situação política caso evitasse confrontos com o ministro Alexandre de Moraes. “Se eu estivesse pensando em mim, eu ficaria bem quietinho, não falaria nada do Alexandre de Moraes”, disse.
Disputa interna na direita
Na entrevista, Eduardo Bolsonaro defendeu André do Prado alegando que o presidente da Assembleia Legislativa possui forte articulação política com prefeitos e vereadores paulistas, fator que considera decisivo para a eleição de 2026.
Ele também negou que o apoio tenha relação com interesses pessoais, apesar de ser apontado como possível suplente da chapa de André do Prado ao Senado.
A troca pública de críticas evidencia a disputa interna entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro pela definição dos nomes que representarão o campo conservador na corrida ao Senado em São Paulo.