Veja quem são os 67 senadores que apoiaram o PL da “misoginia digital”

A aprovação do projeto que tipifica a chamada “misoginia digital” e a equipara ao crime de racismo, nesta terça-feira (24), foi celebrada por seus defensores como avanço na proteção às mulheres. Mas o resultado da votação no Senado revelou um cenário que vai além da narrativa oficial e expôs incoerências, sobretudo entre parlamentares da direita.

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Isso porque o texto, alvo de críticas por abrir margem para interpretações subjetivas e potencial restrição à liberdade de expressão, contou com apoio unânime.

Nomes como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Marcos Rogério (PL-RO) e Carlos Portinho (PL-RJ) estão entre os que apoiaram a proposta. Parte deles, inclusive, havia se mobilizado anteriormente para ampliar o debate em plenário.

O texto, que equipara a misoginia ao crime de racismo e prevê penas de prisão, retorna agora à Câmara.

Veja a lista dos 67 senadores que votaram a favor

  • Alan Rick (Republicanos-AC)
  • Márcio Bittar (PL-AC)
  • Dra. Eudócia (PL-AL)
  • Fernando Farias (MDB-AL)
  • Renan Calheiros (MDB-AL)
  • Lucas Barreto (PSD-AP)
  • Randolfe Rodrigues (PT-AP)
  • Eduardo Braga (MDB-AM)
  • Omar Aziz (PSD-AM)
  • Plínio Valério (PSDB-AM)
  • Jaques Wagner (PT-BA)
  • Augusta Brito (PT-CE)
  • Izalci Lucas (PL-DF)
  • Leila Barros (PDT-DF)
  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Fabiano Contarato (PT-ES)
  • Marcos do Val (Podemos-ES)
  • Jorge Kajuru (PSB-GO)
  • Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
  • Wilder Morais (PL-GO)
  • Weverton Rocha (PDT-MA)
  • Ana Paula Lobato (PSB-MA)
  • Jayme Campos (União-MT)
  • Margareth Buzetti (PP-MT)
  • Wellington Fagundes (PL-MT)
  • Nelsinho Trad (PSD-MS)
  • Soraya Thronicke (Podemos-MS)
  • Tereza Cristina (PP-MS)
  • Carlos Viana (Podemos-MG)
  • Rodrigo Pacheco (PSD-MG)
  • Cleitinho (Republicanos-MG)
  • Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
  • Efraim Filho (União-PB)
  • Daniella Ribeiro (PP-PB)
  • Sérgio Moro (União-PR)
  • Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
  • Flávio Arns (PSB-PR)
  • Fernando Dueire (MDB-PE)
  • Humberto Costa (PT-PE)
  • Teresa Leitão (PT-PE)
  • Marcelo Castro (MDB-PI)
  • Ciro Nogueira (PP-PI)
  • Jussara Lima (PSD-PI)
  • Beto Faro (PT-PA)
  • Jader Barbalho (MDB-PA)
  • Bruno Bonetti (PL-RJ)
  • Carlos Portinho (PL-RJ)
  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Styvenson Valentim (PSDB-RN)
  • Zenaide Maia (PSD-RN)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  • Paulo Paim (PT-RS)
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS)
  • Jaime Bagattoli (PL-RO)
  • Confúcio Moura (MDB-RO)
  • Marcos Rogério (PL-RO)
  • Chico Rodrigues (PSB-RR)
  • Roberta Acioly (Republicanos-RR)
  • Esperidião Amin (PP-SC)
  • Ivete da Silveira (MDB-SC)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Laércio Oliveira (PP-SE)
  • Alessandro Vieira (MDB-SE)
  • Giordano (Podemos-SP)
  • Eduardo Gomes (PL-TO)
  • Irajá (PSD-TO)

O que diz o texto:

O projeto que trata da chamada “misoginia digital” avança muito além da punição de condutas criminosas evidentes e estabelece um modelo de controle mais amplo sobre o ambiente digital. Sob o argumento de proteção, o texto cria obrigações diretas para plataformas, amplia conceitos jurídicos e introduz mecanismos que permitem enquadrar uma variedade extensa de conteúdos.

O texto também impõe prazos curtos para remoção de conteúdos considerados irregulares — podendo chegar a 24 horas após notificação. O descumprimento abre espaço para penalidades severas.

Entre as sanções previstas estão:

  • desmonetização de conteúdos e perfis;
  • redução de alcance de publicações;
  • bloqueio de contas;
  • multas que podem atingir até 10% do faturamento no Brasil.

Diante desse cenário, a tendência é clara: para evitar punições, plataformas passam a remover conteúdos de forma preventiva, mesmo quando há dúvida sobre eventual irregularidade. O resultado prático é a redução do espaço para debate e a ampliação da autocensura.

Outro ponto sensível é a criação de uma autoridade responsável por analisar conteúdos e aplicar medidas. A proposta concentra em uma estrutura específica o poder de decidir o que pode ou não circular nas redes.

Interpretação

Esse modelo desloca o debate público para um campo mais controlado, em que a interpretação sobre conteúdos deixa de ser difusa e passa a depender de um centro com poder regulatório direto.

O projeto adota uma definição abrangente tanto de “mulher” quanto de “misoginia”. Considera como mulher qualquer pessoa que se identifique com o gênero feminino, incluindo mulheres trans, travestis e pessoas não binárias.

Já o conceito de misoginia digital ultrapassa casos claros de violência ou ameaça e passa a incluir conteúdos que possam “inferiorizar”, “normalizar” ou “legitimar” comportamentos considerados ofensivos.

Na prática, isso cria um campo interpretativo aberto. O enquadramento não depende apenas da intenção ou da ação concreta, mas da leitura que se faz do conteúdo — o que amplia significativamente o alcance da norma.



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