O governador do Paraná, Ratinho Júnior, desistiu de disputar o Palácio do Planalto. Também não vai tentar o Senado. Saiu-se com a justificativa oficial de que precisa cumprir até o fim “o compromisso selado com o eleitorado paranaense”, permanecendo no cargo de governador até dezembro, para “não interromper os projetos e o ciclo de crescimento econômico do estado”.
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Na nota oficial, a única verdade que pode ser extraída é de que sua decisão veio “após profunda reflexão com a família”. Sim, a candidatura de Ratinho Júnior tinha o potencial de expor sua mulher, filhos e até o pai à enxurrada de denúncias envolvendo sua relação com o Banco Master, especialmente depois que Daniel Vorcaro decidiu firmar uma delação premiada.
Como numa relação simples de causa e efeito, a desistência de Ratinho Júnior de seu projeto presidencial se deu poucos dias depois de vir à tona o acordo preliminar do banqueiro com o ministro André Mendonça, e de sua transferência do presídio da Papuda para uma confortável cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Ainda não sabemos o que Vorcaro pode contar sobre o governador paranaense, mas já há algumas boas pistas. A primeira delas envolve a privatização da Copel Telecom em 2020, vencida pelo empresário Nelson Tanure, que chegou a ser apontado por um operador do mercado como o verdadeiro dono do Banco Master, que teria financiado a compra da companhia telefônica.
Tanure, vale ressaltar, também foi alvo da PF na operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro.
Outra pista que aproxima a família do governador do banqueiro trambiqueiro é a sociedade de Ratinho, o pai, no resort de luxo Tayayá, do qual também foi sócio Dias Toffoli e seus irmãos. Como se sabe, a participação do ministro e de seus familiares foi vendida a um fundo do Master operado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e seu operador financeiro.
Um dos elos mais graves, porém, é o acordo feito pela gestão Ratinho Júnior com o Master para oferecer aos servidores estaduais o Credcesta, o cartão de benefício consignado criado na Bahia e que está na origem de todo o escândalo. Neste caso, o Credcesta ainda fazia dobradinha com patrocínio direto ao programa do próprio pai do governador no SBT!
Ratinho Júnior chegou a dizer, durante evento de pré-candidatura, que o Master seria “caso de polícia”. Ele tem toda razão e parece falar com propriedade.
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