Os gastos administrativos do governo federal para manter a máquina pública funcionando somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior valor registrado desde 2016. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional.
A série histórica, corrigida pela inflação e com início em 2011, mostra que as despesas com custeio da máquina pública ultrapassaram R$ 70 bilhões por ano durante o governo Dilma, entre 2011 e meados de 2016.
No período de Temer e Bolsonaro, os valores ficaram abaixo desse patamar, voltando a crescer no 3º mandato de Lula (PT), a partir de 2023.
Entre as despesas administrativas estão: água, energia elétrica, telefone, serviços de limpeza e vigilância, apoio administrativo e operacional, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, diárias e passagens, e serviços bancários.
O aumento dessas despesas reduz o espaço do governo para programas sociais, bolsas de estudo e universidades federais. Isso ocorre porque os gastos administrativos estão dentro do grupo de chamados gastos livres, que têm limite definido pelo arcabouço fiscal e não podem crescer mais que 2,5% ao ano, corrigidos pela inflação.
Em contrapartida, os gastos obrigatórios (como benefícios, pensões e salários de servidores públicos) crescem acima desse limite, comprimindo o orçamento disponível para investimentos e despesas livres.
De acordo com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o governo federal terá R$ 129,2 bi para gastos livres dos ministérios em 2026, incluindo despesas administrativas, investimentos e outros custos operacionais.
Ao destinar mais de R$ 70 bilhões apenas para despesas administrativas, sobra menos espaço para outros gastos livres, como investimentos em infraestrutura, defesa agropecuária, bolsas do CNPq e Capes, emissão de passaportes, fiscalização ambiental e do trabalho escravo, Farmácia Popular, recursos para universidades federais e agências reguladoras.