O Banco Central afirmou que são sigilosos o número e o conteúdo dos alertas feitos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e pela Febraban sobre problemas do Banco Master.
A resposta foi dada ao Poder360 por meio da Lei de Acesso à Informação. Segundo o BC, dados relacionados à fiscalização de instituições específicas estão protegidos por sigilo legal, com base nos artigos 5º e 6º do Decreto 7.724 de 2012.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, após investigações por gestão fraudulenta e desvio de R$ 11,5 bilhões. O Banco Central não detalhou o trabalho de fiscalização nem as medidas preventivas adotadas antes da liquidação, que resultou no maior prejuízo da história do FGC.
O Poder360 apurou que ao menos 38 alertas foram feitos à autoridade monetária. O FGC informou que não comenta situações envolvendo instituições associadas. A Febraban não respondeu aos questionamentos enviados em 5 de janeiro.
Entre 2023 e 2024, o Banco Master mais que dobrou de tamanho. Os ativos passaram de R$ 36,8 bilhões para R$ 82,7 bilhões. No mercado, havia suspeitas sobre a falta de liquidez da instituição desde o fim de 2024.
Em março de 2025, foi anunciada a compra do Master pelo BRB. Segundo o BC, a confirmação das fraudes ocorreu apenas em junho de 2025, e a liquidação foi decretada em 18 de novembro, mesmo com alertas prévios do FGC.
Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que irregularidades bilionárias em carteiras de crédito só foram identificadas após o BRB registrar os dados no Sistema de Informações de Créditos. Ele não explicou por que esses créditos não haviam sido detectados antes pelos supervisores do Banco Central.
O BC informou ao Tribunal de Contas da União que buscou uma solução de “menor custo para a sociedade” e que interromper captações evitou uma exposição estimada de R$ 51 bilhões ao FGC.