Lula afirmou nesta terça-feira (22) esperar que os Estados Unidos estejam dispostos a conversar e que a relação entre os dois países volte à normalidade.
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Em vídeo publicado nas redes sociais ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Lula elogiou a decisão de retirar as credenciais de trabalho de um funcionário do governo dos Estados Unidos que atua no Brasil.
A medida foi uma resposta à ação do governo americano, que solicitou a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, ligado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.
“Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse o presidente.
O Ministério das Relações Exteriores informou que os Estados Unidos não seguiram a “boa prática diplomática” ao adotar a medida contra o delegado brasileiro sem diálogo prévio.
Segundo o Itamaraty, a decisão americana ocorreu sem pedido de esclarecimentos ou consulta formal ao governo brasileiro, contrariando o memorando de entendimento firmado entre os dois países para cooperação policial.
O governo brasileiro informou à embaixada americana que aplicará o princípio da reciprocidade, com a interrupção das atividades de um representante norte-americano no país.
Nos bastidores, o aviso foi feito de forma verbal antes mesmo da publicação da nota oficial.
Cronologia do caso
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava desde 2023 como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami, em cooperação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE).
Em setembro de 2025, Alexandre Ramagem deixou o Brasil após condenação do Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
Em 13 de abril de 2026, ele foi preso em Orlando por questões migratórias e liberado dois dias depois.
No dia 20 de abril, o governo dos Estados Unidos determinou que o delegado brasileiro deixasse o país, alegando tentativa de contornar procedimentos de extradição.
No dia seguinte, o governo brasileiro reagiu e passou a discutir a aplicação de medidas equivalentes.
Em 22 de abril, a Polícia Federal retirou as credenciais de um agente americano que atuava em Brasília, seguindo o princípio da reciprocidade.
Segundo Andrei Rodrigues, a medida impede o acesso do agente às instalações da PF e aos sistemas de cooperação policial.
O diretor da PF afirmou que a decisão foi tomada “com pesar” e negou que tenha havido expulsão formal de qualquer agente.
O caso segue em apuração, enquanto os governos de Brasil e Estados Unidos mantêm tratativas diplomáticas sobre o episódio.