Walter Delgatti diz à PF que Zambelli pediu invasão a telefone de Moraes

Nesta quarta-feira (2), o hacker Walter Delgatti Neto, preso em Araraquara (SP), revelou à Polícia Federal (PF) em um depoimento no final de junho que a deputada Carla Zambelli (PL-SP) teria solicitado sua ajuda para obter “conversas comprometedoras” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Delgatti afirmou que o pedido envolveria a invasão do celular ou do e-mail do magistrado.

O depoimento de Delgatti foi prestado à PF em 27 de junho como parte da investigação sobre a invasão de sistemas eletrônicos do Judiciário, que tramitava na Justiça Federal do Distrito Federal. Antes, a parlamentar teria pedido a invasão à urna eletrônica ou aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas Delgatti declarou que não conseguiu acessar os sistemas eleitorais.

Segundo a PF, Delgatti relatou que se encontrou com Carla Zambelli em setembro de 2022, em um posto de gasolina na Rodovia Bandeirantes. Durante o encontro, ela teria dito que, caso ele conseguisse invadir os sistemas, teria emprego garantido, pois estaria “salvando a Democracia, o País, a liberdade”.

Além disso, Delgatti afirmou ter se encontrado com o ex-presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada no ano passado, onde foi questionado sobre a possibilidade de invadir a urna eletrônica. No entanto, a ideia não foi adiante devido ao acesso limitado concedido pelo TSE, que só permitia acesso à sede do Tribunal.

Na decisão que autorizou a prisão preventiva de Delgatti, o ministro Alexandre de Moraes citou uma reportagem da Veja, que trazia áudios nos quais o hacker menciona ter contatado funcionários da operadora TIM com o objetivo de invadir o chip do celular do ministro, mas sem sucesso. Em seguida, Delgatti teria invadido o Banco Nacional de Mandados de Prisão do CNJ para demonstrar suas habilidades, e Zambelli teria redigido um mandado falso de prisão contra Moraes. O acesso ao sistema teria sido realizado através de uma credencial eletrônica roubada.

A PF está investigando a inserção de 10 alvarás de soltura no sistema do CNJ em benefício de criminosos em todo o país, o que configura ao menos um crime de falsidade ideológica para cada inserção.

Fonte TBN – Link Original

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