Em meio a tratativas para trazer partidos do centrão para a base do governo, o presidente Lula (PT) deve acelerar a distribuição de cargos federais nos estados, contemplando novos e antigos aliados no Congresso Nacional.
O avanço das negociações, contudo, enfrenta obstáculos que passam por rivalidades locais entre os partidos que formam o cada vez mais amplo arco de apoios do presidente no Congresso Nacional.
As disputas têm contornos mais graves nos estados do Nordeste, onde deputados de legendas como União Brasil, PP, Republicanos e até mesmo do PL de Jair Bolsonaro acenam com apoio ao governo e cobram o seu quinhão na máquina federal.
“Cada dia se vence uma batalha. Estamos trabalhando com a maior transparência e buscando o melhor formato para atender demandas e ter solidez na nossa base”, afirma o deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, que diz que cerca de 80% dos pleitos estão resolvidos.
Um dos principais desafios é o estado de Alagoas, palco de uma acirrada disputa entre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e o senador Renan Calheiros (MDB), ambos com forte influência em Brasília.
Principal aliado de Bolsonaro em Alagoas, Lira apadrinhou indicações para a CBTU, SPU, Porto de Maceió e Codevasf no governo anterior e manteve os cargos com Lula. O MDB, por sua vez, trabalha para reequilibrar o jogo.