O Banco Central (BC) decretou nesta manhã (05) a “indisponibilidade de bens” de Augusto Ferreira Lima e Luiz Rennó Netto, respectivamente ex-sócio e ex-diretor jurídico do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
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A indisponibilidade, na prática, congela os bens, e os administradores de instituições financeiras sob liquidação extrajudicial não podem vender ou alienar suas propriedades até a conclusão do processo.
O comunicado do BC foi enviado a instituições financeiras, bolsas de valores e entidades autorizadas a exercer a atividade de registro de ativos financeiros e de valores mobiliários, considerando que os citados exerceram “atuação como administradores de fato da instituição nos doze meses que antecederam a decretação do regime de resolução”.
“A incidência da indisponibilidade decorre das disposições do art. 36 da Lei n.º 6.024, de 13 de março de 1974, em razão da atuação como administradores de fato da instituição nos 12 meses que antecederam a decretação do regime de resolução, conforme apuração realizada pela Comissão de Inquérito designada por meio do Ato de Diretor n.º 695, de 18 de fevereiro de 2026, e conclusão do Parecer Jurídico 543/2026-BCB/PGBC, de 29 de abril de 2026”, afirma a autarquia em comunicado publicado nesta manhã.
Guga Lima, ligado ao núcleo petista na Bahia, era responsável pela área de consignado do Banco Master, com o CredCesta representando mais de 50% do faturamento da instituição. Em 2020, ingressou na sociedade do banco, então chamado Banco Máxima, e levou o CredCesta como principal ativo.
Em maio de 2024, Lima deixou o Master. No ano seguinte, foi autorizado pelo Banco Central (BC) a adquirir o Banco Voiter, renomeado Pleno, concentrando nele operações de crédito consignado, incluindo o CredCesta, e aportando cerca de R$ 160 milhões.
O Pleno, do empresário baiano, foi liquidado pelo BC em fevereiro deste ano por “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações” da autarquia.
Lima chegou a ser preso no ano passado, durante a 1ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga as fraudes do Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo BRB.