Foi usando registros telefônicos e um sistema sofisticado que mapeia o alcance das torres de celular que uma equipe de investigadores desenhou a forma irregular de um polígono em um mapa de ruas arborizadas no subúrbio de Massapequa Park, em Long Island, Nova York. Desde 2021, os investigadores conseguiram reduzir paulatinamente a área até cobrir apenas algumas centenas de casas. Em uma delas, tinham a certeza, vivia um assassino em série. A história de como conseguiram chegar a ele é digna de um filme.
Em 2011, 11 corpos haviam sido encontrados no meio da vegetação rasteira ao redor da praia de Gilgo, um trecho remoto de areia de 8km na costa nova-yorkina. Quatro mulheres tinham sido amarradas com fita adesiva ou cintos. Ou enroladas em mortalhas com padrão de camuflagem. Todas trabalhavam como garotas de programa e desapareceram após irem atender um cliente.
Uma das primeiras descobertas foi a de que cada uma delas, pouco antes de desaparecer, ligou para um celular descartável diferente. Os investigadores determinaram então que, durante o dia de trabalho, alguns destes telefones foram utilizados naqueles dias em uma área específica do coração de Manhattan, perto da Penn Station. Durante a noite, eles seguiam emitindo sinais na região delimitada.
Na sexta-feira passada, as autoridades do condado de Suffolk anunciaram a prisão de um homem que acreditam ter matado pelo menos quatro mulheres: Rex Heuermann, um arquiteto de 59 anos que mantinha um escritório perto da Penn Station. Ele morava em uma rua tranquila exatamente onde os investigadores esperavam encontrá-lo. O suspeito de ser um serial killer foi acusado de três dos assassinatos, dos quais se declarou inocente, e foi apontado como o principal suspeito no quarto.
A prisão pode ter encerrado anos de angústia das famílias das vítimas. Mas a investigação também levantou questão inquietante: as autoridades não poderiam ter resolvido o caso — que já dura uma década — anos antes? Um novo Comissário de Polícia e sua força-tarefa levaram apenas seis semanas para descobrir uma pista crucial no extenso arquivo do caso.
A suspeita de que um serial killer estava atuando em Long Island começou em dezembro de 2010, quando um policial de Suffolk, John Mallia, e seu parceiro canino, o pastor alemão Blue, tentavam encontrar Shannan Gilbert, de 24 anos, que havia desaparecido. No entanto, a dupla acabou encontrando quatro corpos perto da praia de Gilgo.