O Banco do Brasil (BB) firmou um contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios para a prestação de serviços postais no Brasil e no exterior. O acordo terá vigência de 60 meses e foi celebrado sem licitação, conforme comunicado divulgado pela instituição financeira ao mercado.
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Segundo o banco, a contratação abrange serviços postais convencionais, especiais e telemáticos e substitui um contrato anterior, com os valores atualizados pela inflação.
O BB justificou a dispensa de licitação afirmando que a maior parte dos serviços contratados está sujeita ao monopólio postal exercido pelos Correios, o que inviabilizaria a concorrência.
“Trata-se de um serviço relevante para o Banco do Brasil S.A., prestado sob tutela de monopólio postal, não existindo a possibilidade de não se contratar, sob pena de gerar prejuízos ao Banco do Brasil S.A.”, afirmou a instituição.
De acordo com o banco, aproximadamente 98% das despesas com postagens estão relacionadas a serviços monopolizados pelos Correios. Para a parcela restante, que inclui modalidades abertas à concorrência, como parte dos serviços de encomendas, o BB informou ter consultado empresas do setor e concluiu que os valores apresentados pela estatal eram compatíveis com os praticados no mercado.
A instituição também alegou que, mesmo nos serviços não abrangidos pelo monopólio, os Correios possuem estrutura nacional e capacidade operacional que dificilmente seriam reproduzidas por concorrentes, especialmente em regiões remotas e de difícil acesso.
Segundo o comunicado, a contratação passou por análises técnicas e jurídicas e seguiu os procedimentos internos previstos para operações entre partes relacionadas. O Banco do Brasil afirmou ainda que o contrato é padronizado e aplicado nas mesmas condições aos demais clientes da estatal, sem tratamento diferenciado.
O novo acordo é anunciado em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões, resultado superior ao déficit de R$ 1,73 bilhão registrado no mesmo período do ano passado.
Além do aumento do prejuízo, a estatal vem buscando reforçar seu caixa. No fim de 2025, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. A empresa também negocia uma nova operação de crédito estimada em cerca de R$ 7 bilhões, como parte de seu processo de reestruturação financeira.