PT cobra de clã Bolsonaro por caso Master mas poupa Jaques

Lula e Jaques Wagner

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, nesta sexta-feira (3), uma resolução política em que a sigla tece críticas à família Bolsonaro, apesar de deixar o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), de fora ao citar o caso do Banco Master.

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Associando os escândalos do banco de Daniel Vorcaro à “extrema direita”, o PT cobra explicações do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

“Até hoje, Flávio Bolsonaro não apresentou explicações convincentes sobre o destino dos milhões de reais solicitados a Daniel Vorcaro nem sobre as operações financeiras que cercam essa relação. As sucessivas mentiras e mudanças de versão apenas ampliam as dúvidas da sociedade. Mais do que um episódio isolado, esse caso evidencia a promiscuidade entre interesses privados, poder político e setores do sistema financeiro que marcou o período bolsonarista”, diz um trecho do documento.

O partido segue na estratégia de explorar a associação entre Flávio e o caso Master. O PT solicitou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que os recursos repassados por Vorcaro para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, sejam investigados.

No entanto, o PT não faz menção às investigações envolvendo Jaques Wagner. Segundo a Polícia Federal (PF), o senador recebeu vantagens, como caronas em jatinhos particulares, ingressos para shows e um imóvel em Salvador (BA) avaliado em R$ 2,5 milhões.

Jaques nega as acusações, mas reconhece manter proximidade com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master.

Na resolução petista, Flávio e Eduardo Bolsonaro são responsabilizados por atuarem “fora do país para estimular medidas econômicas contra o próprio Brasil, negociando o prejuízo do povo brasileiro como instrumento de cálculo eleitoral”.

O partido vê como “gravíssimo” a “tentativa de subordinar os interesses nacionais a projetos estrangeiros ou a disputas políticas internacionais”.

“Ao pedir que as tarifas contra produtos nacionais fossem aplicados somente depois das eleições, revelam o caráter entreguista de um projeto político que não hesita em sacrificar empregos, empresas brasileiras, a produção nacional e a soberania do país em benefício de seus próprios interesses. Trata-se de uma postura de vendilhões da pátria, que afronta a história do povo brasileiro e tenta transformar o Brasil em quintal norte americano”, analisa.

O senador enviou na quinta (2) ao governo de Donald Trump um documento em que oferece vantagens comerciais, como eliminar tarifas para o etanol e reduzir a carga tributária para empresas de cartões de crédito, além de afirmar que o PIX é um dos marcos do governo do pai, Jair Bolsonaro, apontando que o banco central dos EUA, o Fed, possui uma ferramenta similar, chamada FedNow.

Ele propõe, ainda, que o Brasil “se liberte das amarras” do Mercosul, tal qual o presidente da Argentina, Javier Milei, fez, uma vez que o bloco comercial restringe negociações bilaterais. O pré-candidato pediu que as tarifas contra o país fossem adiadas por 180 dias e que as taxas de 25% sejam aplicadas somente após as eleições. Flávio avaliou na carta que caso se confirme, o tarifaço será uma “vitória política” a Lula (PT).



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