DC abre processo para expulsar Aldo Rebelo após crise interna

O partido Democracia Cristã decidiu instaurar um processo disciplinar contra o ex-ministro Aldo Rebelo, medida que deve culminar em sua expulsão da legenda e na comunicação formal de sua desfiliação à Justiça Eleitoral. A decisão foi anunciada pela direção nacional da sigla após uma série de declarações públicas do político contra o comando partidário.

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A crise interna ganhou força depois que o DC passou a articular o nome do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa como possível candidato à Presidência da República em 2026, substituindo Aldo Rebelo, que havia sido apresentado anteriormente como pré-candidato da legenda.

Em nota oficial, o partido afirmou que as manifestações recentes de Rebelo “não condizem com os valores democratas-cristãos” e acusou o ex-ministro de promover ataques à direção nacional e ao presidente da sigla, João Caldas. Segundo o comunicado, tentativas de conciliação foram feitas, mas teriam sido inviabilizadas pela “reiterada intransigência” do político.

A direção do DC também declarou que os fatos apurados configuram afronta aos princípios e ao estatuto partidário, justificando a abertura imediata do procedimento disciplinar. O texto ainda afirma que não há espaço na legenda para “ameaças, calúnias, difamação, má-fé e arrogância”.

Aldo Rebelo, por sua vez, reagiu à mudança de rumo da sigla e disse manter sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Em manifestação divulgada nas redes sociais, o ex-deputado afirmou que foi convidado pelo próprio partido para liderar um projeto nacional e criticou a condução das negociações internas.

Segundo Rebelo, a possível entrada de Joaquim Barbosa na disputa representa uma “afronta” ao modelo de relações políticas que defende, baseado, segundo ele, em transparência e decisões democráticas. O ex-ministro também declarou que candidaturas devem representar projetos coletivos, e não interesses de grupos específicos.

O embate se agravou após Rebelo associar a mudança de posicionamento do partido ao avanço de investigações envolvendo o banco Master em Alagoas. O ex-ministro mencionou a compra de títulos ligados à instituição financeira pelo Instituto de Previdência de Maceió e sugeriu preocupação do presidente nacional do DC com eventuais desdobramentos do caso. O município era administrado até recentemente por João Henrique Caldas, filho de João Caldas.

Enquanto a disputa interna se intensifica, o nome de Joaquim Barbosa segue sendo tratado pelo comando do partido como alternativa para a corrida presidencial de 2026, embora o ex-ministro do STF ainda não tenha oficializado publicamente sua intenção de disputar o cargo.

Pela legislação eleitoral brasileira, candidatos à Presidência precisam estar filiados a um partido político pelo menos seis meses antes da eleição para terem a candidatura registrada.



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